Cigarros "light" não apresentam vantagens, alertam cientistas

Em Ciência, a matemática nem sempre é exata. Fumantes que trocaram cigarros com alto teor de nicotina, com 1,1 mg da substância, por versões do tipo light ou suave, de 0,1 mg, não reduziram necessariamente o consumo de nicotina em dez vezes. De acordo com um estudo realizado no Japão e divulgado pela Agência Fapesp, a redução do consumo nesses casos, em média, não chega a duas vezes.Para Atsuko Nakazawa, do Primeiro Hospital da Cruz Vermelha de Kyoto, "aqueles que são fortemente dependentes da nicotina não têm vantagem alguma em consumir cigarros do tipo light". A cientista explica que a saúde do fumante que optou pelas versões suaves pode, inclusive, correr risco maior devido ao "hábito compensatório" de dar tragadas mais profundas e em maior quantidade.Os pesquisadores investigaram a dependência de nicotina em 458 homens. A conclusão dos exames de urina que medem a concentração de cotinina, derivado da quebra de nicotina no organismo, mostrou que entre os que fumavam mais de 40 cigarros light ou suave por dia não houve redução significativa de absorção de nicotina.Polêmica - O estudo reacende uma polêmica que vem se arrastando há anos no Japão. Segundo os pesquisadores, "as quantidades de nicotina descritas em embalagens e propagandas não correspondem diretamente ao total de nicotina consumido". Em 2002, uma tentativa do Ministério da Saúde japonês de mostrar que o consumo final de nicotina é maior do que o escrito nos maços foi rechaçado por uma maciça campanha publicitária das empresas do setor, que refutava a alegação.

Agencia Estado,

08 de agosto de 2004 | 23h19

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