Cisnes brancos voltam a incluir o Pantanal em sua rota migratória

A exemplo dos antigos batedores de grandes expedições, alguns cisnes brancos isolados começaram a aparecer em banhados de água salobra do Pantanal Matogrossense, nos últimos anos, sempre entre junho e setembro/outubro. Os tais ?batedores? parecem ter reconhecido na região condições adequadas para o pouso de grandes grupos, porque, em 2000, foram avistados apenas 3 indivíduos, mas, neste ano, as concentrações das aves aumentaram significativamente. Numa contagem preliminar, pesquisadores da Conservation International (CI), registraram pelo menos 70 cisnes, apenas na Fazenda Rio Negro, município de Aquidauana (MS).De acordo com o antigo proprietário da área, Orlando Rondon, desde as grandes secas das décadas de 60 e 70, não se viam grupos grandes. ?Eles foram diminuindo, provavelmente porque já não encontravam alimento nas salinas secas. De alguma forma, porém, preservaram a memória do local como pouso na rota migratória, e agora estão retornando, uma vez que as salinas estão com água, em condições de uso?, explica Reinaldo Lourival, Diretor da CI-Brasil para o Pantanal. Segundo ele, que gerencia na antiga fazenda uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN), os cisnes se alimentam de algas, que crescem na água salobra. Conhecidos pelos pantaneiros como capororocas e pelos cientistas como Coscoroba coscoroba, os cisnes brancos se reproduzem na Patagônia, no extremo sul do continente sul americano, e migram para o norte, na direção dos banhados da planície costeira do Rio Grande do Sul (e agora também de volta às salinas do Pantanal) durante o inverno, para fugir do frio e da seca. ?Sua presença, aqui, demonstra, que a conservação do Pantanal, vai além da sua importância para a fauna local?, acrescenta Lourival. ?Em países da Europa e nos Estados Unidos, vários sítios usados em rotas migratórias são protegidos, como é o caso das cegonhas, andorinhas e gansos?.

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