Cites inclui cem novas espécies em listas de proteção

Terminou nesta sexta-feira, em Santiago do Chile,a reunião dos 160 países signatários da Convenção para o Comércio Internacional das Espécies Ameaçadas (Cites), com o anúncio da inclusão de cem novas espécies nas listas de animaise plantas protegidas pela entidade. No total, a convenção regula as exportações e importações de mais de 30 mil espécies.O secretário-geral da entidade, o holandês WillenWijnstekers, considerou a reunião "histórica", pelo fato de os 1.200 representantes dos 160 países, reunidos nas duas últimassemanas, terem decidido pela proteção a várias espécies que já haviam sido objeto de propostas, sem sucesso, em reuniões passadas.Wijnstekers destacou o caso do mogno (Swytenniamacrophylla king) como exemplar. Desde 1992, as propostas de regular o comércio internacional dessa madeira - usada na construção naval, mobiliário e artesanato - haviam fracassado,principalmente por causa da oposição do governo brasileiro.Neste ano, mesmo com a oposição brasileira, a convenção aprovou a proposta feita pela Guatemala e Nicarágua, de inclusão da espécie no Apêndice 2. Os países produtores, Brasil incluído,têm agora um ano para apresentar conjuntamente à entidade as medidas de controle do lado dos exportadores.Mas as atenções da reunião estiveram voltadas, como previsto, para baleias, tubarões e elefantes. O comércio internacional das baleias e suas partes está proibido pela Cites desde 1983, um ano depois da proibição da caça desses mamíferos marinhos pela Comissão Baleeira Internacional.O Japão tem burlado essa proibição, com o argumento de caça "científica" nos mares antárticos de novembro a março, quando mais de 400 espécimes são mortos, retalhados eprocessados nos seus imensos navios-fábrica.Nesta reunião da Cites, o Japão propôs retomar o comércio internacional de baleias Minke e de Bryde, do Hemisfério Norte. A Noruega, Islândia eRússia têm interesse nesse comércio porque suas frotas poderiam abater esses animais para posterior venda ao Japão. O plenário da Cites, porém, rejeitou a proposta do Japão.Os tubarões são um caso recente de exploração abusiva. Não são pescados para servir de alimento,mas principalmente por causa de suas barbatanas, consideradas iguaria na cozinha chinesa.A maior parte dos tubarões pescados tem as barbatanas cortadas e é devolvida ao mar para morrer lentamente de asfixia. Nessa reunião da Cites, o plenário de encerramento reverteu umadecisão de um comitê técnico, colocando o tubarão-baleia - um gigante inofensivo que se alimenta de plâncton - e o tubarão-peregrino, no Apêndice 2, um estágio de proteção imediatamente abaixo da proibição total à comercialização.Os elefantes africanos são discutidos em todas asreuniões da Cites, desde que a entidade foi fundada em 1973. A principal ameaça aos maiores mamíferros terrestres - 3 metros de altura e 7,5 toneladas, em média - continua sendo a espécie humana.A reunião aprovou a venda, em um único pregão, de 60 toneladas de marfim armazenadas na África do Sul (30 toneladas), Botsuana (20 toneladas) e Namíbia (10 toneladas). O dinheiro arrecadado com a venda deverá ser usado nas comunidades que moram à volta das reservas e parques onde vivem os elefantes.A próxima reunião da Cites está marcada para 2005, na Tailândia.

Agencia Estado,

15 de novembro de 2002 | 21h12

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