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Clérigos islâmicos indonésios querem regras para o Facebook

País é um dos maiores usuários do serviço, uma rede social; líderes religiosos temem uso pecaminoso

Associated Press,

21 de maio de 2009 | 17h08

Clérigos indonésios estão buscando formas de regular o comportamento online na Indonésia, afirmando

que a enorme popularidade de sites de redes sociais como o Facebook pode encorajar o sexo ilícito.

 

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Cerca de 700 clérigos, ou imãs, reunidos nesta quinta-feira no maior país muçulmano do mundo, estudam regras que proíbam seus seguidores de entrar na rede para paquerar ou participar de ações que, acreditam eles, possam encorajar romances extraconjugais.

 

Segundo o Inside Facebook, um blog independente dedicado a analisar o site, a Indonésia, um país de 235 milhões de habitantes, foi o local onde o Facebook mais cresce no sudeste asiático em 2008, com elevação de 645%, para 831 mil usuários.

 

Também é o site mais visitado da Indonésia e como menos de 0,5% dos indonésios estão conectados na internet, há um grande potencial de crescimento.

 

"Os clérigos acham que é necessário estabelecer um edital para a rede virtual, porque esse relacionamento online pode levar à luxúria, o que é proibido no Islã", disse Nabil Haroen, porta-voz do internato islâmico Lirboyo, onde o evento é realizado.

 

Embora os muçulmanos possam continuar sendo membros da rede de relacionamentos, regras sobre como usar a internet com valores islâmicos são urgentemente necessárias, disse ele.

 

"As pessoas geralmente usam o Facebook para se conectar com seus amigos, familiares ou para ficar sabendo sobre assuntos locais e mundiais", disse Debbie Frost, porta-voz do Facebook. "Temos visto muitas pessoas e organizações usando o Facebook para promover uma agenda positiva."

 

Noventa por cento dos indonésios são muçulmanos e a maioria pratica uma forma moderada da religião.

Um edital dos clérigos não teria nenhum valor legal. Mas poderia ser endossado pelo influente Conselho Ulemá, que recentemente divulgou regras contra o fumo e a ioga. Alguns muçulmanos seguem as regras do conselho porque ignorar um fatwa, ou decreto religioso, é considerado um pecado.

 

Amidan, que lidera o Conselho Ulemá, disse que o crescente número de usuários do Facebook na Indonésia é um assunto controverso entre os líderes muçulmanos. Ele é favorável à proibição por causa do possível conteúdo sexual.

 

"As pessoas que usam o Facebook podem ser levadas a travar conversas desastrosas e pornográficas", disse Amidan, que supervisiona a conferência de dois dias na cidade de Kediri, em Java.

 

Muitos clérigos estão preocupados com o fato de que o "conteúdo inapropriado" do Facebook possa ser acessado por crianças, disse Amidan, que como muitos indonésios tem apenas um nome.

 

O Facebook é o site mais acessado na Indonésia, à frente das ferramentas de busca Yahoo e Google, segundo o serviço Alexa, que acompanha o fluxo na rede. Cerca de 4% dos visitantes do Facebook são da Indonésia, o que faz do país a maior fonte de visitantes depois dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Itália.

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