Clima instável adia volta do Discovery à Terra

A comandante Eileen Collins e seus seis companheiros no ônibus espacial Discovery permanecerão um dia a mais em órbita já que as condições meteorológicas no sul da Flórida impediram seu retorno à Terra nesta segunda-feira. Em duas ocasiões nesta madrugada o controle de missão no Centro Espacial Johnson, em Houston (Texas), e os astronautas viveram a tensão de uma fase perigosa da missão, ao se aproximarem os períodos propícios para a volta. A suspensão nas duas vezes foi decidida poucos minutos antes da hora fixada para ligar os motores da nave."A descrição mais adequada das condições em Cabo Canaveral é de ´instável´", disse o astronauta Ken Ham, que estava encarregado dascomunicações com Collins quando a Nasa tentou a aterrissagem antes do amanhecer. "Lamentamos que não possamos trazê-los de volta para casa hoje", acrescentou Ham. "Os senhores tomaram a decisão correta", respondeu da nave Collins. "Vamos desfrutar de outro dia em órbita".Aproximadamente vinte minutos antes da primeira hora fixada para a volta, a Nasa considerou o relatório meteorológico e decidiu que a nave deveria dar outra volta em torno da Terra. Quando faltavam apenas treze minutos para acenderem os motores na segunda tentativa de retorno, foi tomada a decisão de adiá-lo até amanhã, terça-feira, quando haverá outras duas oportunidades de retorno a Cabo Canaveral, e dois mais tarde na base Edwards da Força Aérea, na Califórnia.Amanhã, a primeira oportunidade para a aterrissagem ocorrerá às 06h09 de Brasília e a segunda às 07h43 de Brasília, na Flórida. Haverá outras oportunidades, às 09h13 e 10h48 de Brasília, na base Edwards da Força Aérea na Califórnia. O diretor de saída e retorno de naves da Nasa, Leroy Cain, disse que a nave tem provisões suficientes para que os astronautas permaneçam em órbita, a cerca de 220 quilômetros da Terra, até a quarta-feira."Tentaremos aterrissar em alguma parte amanhã", acrescentou. A previsão meteorológica no Centro Espacial Kennedy para amanhã émuito parecida à de hoje, já para a base de Edwards é propícia toda a semana. Também estará preparada para receber a nave a pista em Northrup Strip, dentro do polígono de ensaio de mísseis de White Sands, no Novo México, mas a previsão do tempo para essa região também não é muita atrativa, assinalou Cain.O retorno à Terra é uma das fases mais arriscada nas missões de naves, e foi nessa etapa em que, em 1º de fevereiro de 2003,explodiu e se desintegrou o Columbia, quando terminava uma missão de 16 dias. Os sete tripulantes dessa nave morreram no acidente.A investigação da catástrofe do Colúmbia determinou que a cobertura de isolamento térmico da nave tinha sido danificada porpedaços de espuma isolante que se soltaram do tanque externo de combustível durante o lançamento. A Nasa destinou quase US$ 1,5 bilhão à investigação da catástrofe do Columbia e à correção de falhas para a missão do Discovery.De qualquer maneira, quando o Discovery decolou em 26 de julho, houve desprendimentos similares de espuma isolante do tanque externoque, mas não danificaram a nave, ainda que tenham sido suficientes para que a Nasa declarasse suspensos todos os vôos de naves até que seja encontrada uma solução ao problema.Na semana passada um dos astronautas do Discovery, Stephen Robinson, realizou uma reparação sem precedentes da nave em órbita,quando retirou manualmente dois pequenos pedaços de proteção térmica na base da nave. Quando forem ligados durante pouco mais de 3 minutos os motores que o tirarão de sua órbita, o ônibus espacial entrará a 24.000 km/h na atmosfera terrestre e durante quase 20 minutos a fricção criará na base da nave temperaturas que superam os 1.300º C.

Agencia Estado,

08 de agosto de 2005 | 14h37

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