Clonagem terapêutica demora a ter aplicação prática

O cientista sul-coreano responsável pela primeira clonagem comprovada de um embrião humano para obtenção de células-tronco lembrou que ainda serão necessários muitos anos de pesquisa para que a técnica tenha aplicação médica. ?Ainda precisamos passar ainda por um longo e complicado processo?, disse Woo Suk Hwang, em entrevista ao jornal Chosun Ilbo. ?Pacientes não devem ter fantasias ou expectativas excessivas.?A esperança é de que a células-tronco embrionárias (CTEs) possam ser usadas na regeneração de tecidos para o tratamento de uma série de doenças degenerativas como o diabetes, mal de Alzheimer, Parkinson e esclerose múltipla, além da recuperação de ataques cardíacos e lesões na medula espinhal. Por serem retiradas do blastocisto ? estágio inicial de desenvolvimento do embrião ? essas células são capazes de diferenciar para formar qualquer tipo de tecido do organismo adulto, fornecendo uma fonte quase ilimitada de material regenerativo.Embriões descartadosNos países em que esse tipo de pesquisa é permitida, cientistas já trabalham com linhagens de CTEs extraídas de embriões descartados pelas clínicas de fertilidade. O grupo coreano, entretanto, foi o primeiro a obter células-tronco de um embrião humano clonado.A vantagem é que, nesse caso, o embrião é produzido com o material genético do próprio paciente, o que evitaria a rejeição dos eventuais tecidos transplantados. Um diabético tipo 1, por exemplo, poderia usar suas próprias CTEs para repor as ilhotas produtoras de insulina em seu pâncreas.Como gatos num rebanhoUma vez obtidas as CTEs, os cientistas ainda precisam aprender como criar tecidos específicos com pureza, longevidade e estabilidade suficientes. ?Fazer com que essas células façam todas a mesma coisa é como reunir gatos num rebanho?, disse David Anderson, professor de Biologia do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech). ?Elas começam a cochichar entre si e todas vão para diferentes direções para formar tecidos diferentes?.Os pesquisadores devem provar, também, que tais tecidos podem ser inseridos num animal e executar as funções das células às quais se destinam. Por último, precisam demonstrar que a terapia funciona em pessoas. ?Estamos motivados por uma sensação de dever, de que isso precisa ser feito, e por uma convicção de que isso pode ser feito?, disse Hwang.

Agencia Estado,

15 de fevereiro de 2004 | 18h43

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