CNBB pede que Senado impeça uso de embriões

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) enviou carta a todos os senadores, pedindo que não aprovem, na Lei de Biossegurança, nenhum artigo permitindo o uso de embriões humanos em pesquisas de células-tronco.No documento de duas páginas, a Igreja reclama da pressão dos "vendedores de ilusões de vidafácil", que exploram imagens de portadores de deficiência para garantir apoio ao uso de embriões humanos nas pesquisas, proposta em tramitação no Senado."Esperamos que os senadores tenham responsabilidade diante de tanta pressão", disse dom Odilo Pedro Scherer, secretário-geral da CNBB. "Não somos contrários à ciência, mas a favor da vida."Scherer afirmou que a Igreja entende que o início da vida ocorre com a "junção" do espermatozóide com o óvulo. A partir daí, na avaliação dosbispos, não se pode usar uma vida para melhorar outra.No documento, os bispos resssaltam a importância dos avanços da ciência. "Neste sentido, nos congratulamos com as pesquisas recentes e o uso responsável de células-tronco encontradas no cordão umbilical, na medula óssea e em outras partes do corpo humano", diz a carta enviada aos senadores. "Incentivamos a continuaçãodas pesquisas, visando a descobrir outras fontes para se obter células-tronco, sem recorrer aos embriões humanos."Em entrevista que deu nesta sexta-feira, na sede da CNBB, o presidente da CNBB, dom Geraldo Majela Agnelo, reclamou da "pressa" do Legislativo em votar a Lei de Biossegurança, no que diz respeito à questão de células-tronco."Preocupa-nos a maneira apressada com a qual certas pessoas e entidades se pronunciam em relação à denominada terapia gênica", afirmou. "A vida saudável não se reduz aos genes nem aos organismos, mas remete a relações sociais, econômicas, políticas, afetivas e espirituais."

Agencia Estado,

25 de junho de 2004 | 19h18

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