CNBB pede veto ao projeto para reduzir maioridade penal

Bispos também discutem evangelização e recuperação dos fiéis quebanadonaram a iGreja ou o cristianismo

Tatiana Fávaro, da Agência Estado,

24 de abril de 2009 | 18h14

Bispos reunidos desde quarta-feira na 47ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) elaboraram, nesta sexta-feira, 24, uma nota contra a redução da maioridade penal. De acordo com o bispo auxiliar de São Paulo, dom Pedro Luiz Stringhini, o documento deverá ser enviado ao Congresso Nacional.

 

A nota ainda não foi divulgada, mas de acordo com dom Pedro Luiz, também presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz da CNBB, o documento pede aos legisladores que não reduzam a maioridade penal e que os menores de 18 anos sejam reeducados e recebam a correção necessária em ambientes próprios.

 

"A nota pede para que eles (os menores) não sejam inseridos no sistema carcerário nacional, que é um sistema muito precário, falido", afirmou o bispo auxiliar de São Paulo. 

 

Como alternativa à redução da maioridade penal, a nota sugere medidas sociais, educativas e políticas públicas para apoio aos menores e suas famílias. "Pedimos muita atenção e vigor para a problemática do tráfico de drogas e seus responsáveis, um problema maior, porque é pelo tráfico que grande parte desses menores é aliciada", afirmou dom Pedro Luiz. "Pedimos medidas preventivas mais do que repressivas, e medidas educacionais mais do que punitivas."

 

O bispo citou como exemplo de reformulação de sistema a antiga Febem, no Estado de São Paulo, agora chamada de Fundação Casa. "A igreja participa dessa reformulação que vem trazendo resultados. É só lembrar que há alguns anos não tem havido tantas rebeliões como na antiga Febem. E isso é graças à reformulação. Há sim denúncias de maus tratos e precariedade, mas está muito melhorada do que já foi", afirmou o bispo.

 

Os 330 bispos, que estarão reunidos até o dia 1º de maio, discutiram na manhã desta sexta-feira sobre a iniciação à vida cristã. De acordo com dom Juventino Kestering, bispo de Rondonópolis e membro da comissão responsável pelo tema, são os adultos os que mais têm questionado a fé, pelas situações enfrentadas atualmente. A evasão de fiéis da igreja católica, nos últimos anos, é uma das preocupações do episcopado.

 

"Quando se faz um negócio, e os números vão diminuindo, a pessoa têm uma preocupação. Assim também a Igreja vai percebendo que ela teve perda do número de cristãos, e isso também preocupa", afirmou dom Juventino. "Mas a retomada da evangelização não é só no sentido de reconquista dos que já saíram. É de fortalecer a vida dos cristãos que permanecem fiéis à Igreja e dos cristãos que vão ingressando, para fazê-los convictos no meio da sociedade no mundo atual."

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