CNBB reafirma que homossexual não pode ser padre

Documento ressalta que o celibato é exigência da Igreja e reafirma que homossexuais não devem ser ordenados

José Maria Mayrink, enviado especial,

29 de abril de 2009 | 19h57

O documento Diretrizes para a Formação dos Presbíteros , aprovado nesta quarta-feira, 29, na 47.ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que se encerra na sexta-feira em Itaici, município de Indaiatuba (SP), dá ênfase à dimensão humano-afetiva dos seminaristas, ressalta que o celibato é exigência da Igreja e reafirma que, por orientação da Congregação para a Educação Católica, do Vaticano, homossexuais não devem ser ordenados padres.

 

O texto do episcopado, ao qual o Estado teve acesso em sua terceira versão, será divulgado depois de autorização do papa Bento XVI, nos próximos meses, para só então entrar em vigor. Sem grandes novidades conceituais em comparação com as diretrizes aprovadas na assembleia de 1994 e referendadas, no ano seguinte, por João Paulo II, o novo documento é mais extenso e dá maior espaço a questões como a formação intelectual, a prática pastoral e o amadurecimento psicológico.

 

Ao enumerar os desafios que o presbítero - chamado de padre na tradição popular, como observa o texto - enfrenta, os bispos alertam que a Igreja está vivendo "uma mudança de época que, além de alterar paradigmas estabelecidos, questiona, prescinde ou nega os valores de muitas instituições". No campo afetivo, "percebem-se mudanças no modo de as pessoas se relacionarem, com a reinvenção dos vínculos amorosos e da transformação da intimidade..."

 

Com 388 artigos e 97 páginas, antes dos acertos finais, o documento da CNBB divide-se em três partes, precedidas de uma introdução: Coordenadas da Formação Presbiteral, Formação Inicial e Formação Permanente. A segunda parte, a mais extensa, com 56 páginas, aponta critérios de discernimento que os formadores devem adotar para saber se o candidato tem vocação. Além da maturidade sexual, condição indispensável para suportar o celibato, o texto dá importância à motivação, pois é necessário descobrir se o candidato não resolve ser padre, por exemplo, por causa de problemas de identidade sexual, desilusões amorosas ou fuga de compromissos estáveis com o casamento e a família.

 

O documento consagra o modelo de seminários atualmente adotados pela Igreja no Brasil - um ano de propedêutico (preparatório), dois anos de Filosofia e quatro de Teologia. Depois de um período de acompanhamento vocacional, os alunos devem morar em seminários ou em casas de formação, sob a orientação de formadores experientes que ensinem a doutrina da Igreja, sem prejuízo do ecumenismo e do diálogo inter-religioso.

 

Na grade curricular, os estudos filosóficos introduzem Estética ou Filosofia da Arte e Introdução à Economia. No curso de Teologia, em comparação com as Diretrizes de 1994, a novidade é a disciplina Administração Paroquial. O latim continua obrigatório. Os seminários são aconselhados a ensinar também grego e hebraico, além de alguma língua moderna. Os futuros padres devem estudar, de preferência, em instituições católicas. Antes do diaconato, mas depois de concluir o curso de Teologia, os seminaristas podem fazer o Ano Pastoral, período em que passam a viver numa paróquia ou em outro tipo de comunidade.

 

Na terceira parte, sobre a formação permanente dos presbíteros, o documento destaca novos desafios pastorais, como a evangelização dos grandes centros urbanos, favelas, grupos de espiritualidades diferentes e os meios de comunicação social. "A vida e o ministério do presbítero exigem atualização no campo da filosofia e da teologia, como também em outros campos do saber", adverte o texto. Entre os cursos de especialização, mestrado e doutorado, o episcopado dá preferência àqueles que, no Brasil e em outros países da América Latina, refletem mais "o contexto social e a vida pastoral" da Igreja no continente.

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