Cnen admite falhas na fiscalização de fontes radioativas

O coordenador-geral de licenciamento e controle da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), Sérgio Bogado Leite, admitiu que a fiscalização das 18 unidades nucleares e 2.400 instalações licenciadas para atuar com material nuclear é feita "na medida do possível". Esse foi um dos problemas abordados, na quinta-feira, em audiência pública na Câmara dos Deputados para tratar sobre a segurança das instalações nucleares do País."Temos um esquema de segurança, mas não há dúvida de que ele pode ser melhorado", disse ele. Entre os problemas, está o déficit de funcionários, estimado por ele em 40%. Hoje existem 200 técnicos trabalhando na fiscalização.Atividades incompatíveisMesmo em número reduzido, tais servidores fiscalizam, mas não têm poder de autuar. Em cada irregularidade detectada, é preciso chamar outro técnico, capaz de fazer a autuação."Há 14 anos foi proposta uma mudança na organização da Cnen, que hoje concentra atividades incompatíveis, como licenciar, executar, fiscalizar atividades na área nuclear. É preciso fazer uma divisão dessas tarefas para garantir independência e qualidade", afirmou o presidente da Associação de Fiscais de Segurança Nuclear, Edson Magalhães.Sem plano para acidentesO coordenador de energia do Greenpeace, Sérgio Dialetachi, mencionou outro problema grave: a falta de um plano eficaz de desocupação da área, no caso de um acidente nas usinas nucleares de Angra."No último teste, muitos moradores não ouviam nem mesmo a sirene. E, entre os que conseguiam ouvir, muitos não sabiam qual era o motivo do sinal", afirmou. "Se houver um acidente, não há nenhuma orientação para populações residentes a 90 quilômetros de Angra, em linha reta. E nessa área vivem 17 milhões de pessoas."

Agencia Estado,

21 de maio de 2004 | 11h27

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