Colesterol baixo não garante menor risco ao coração

Cada vez mais os médicos estão identificando um grupo de pessoas cujos níveis de LDL, o chamado mau colesterol, são baixos, mas ainda assim parecem correr um maior risco de ter aterosclerose, ataque cardíaco e derrame.Eles têm uma condição conhecida como síndrome metabólica, um conjunto de fatores de risco que incluem hipertensão moderada, níveis elevados de glucose, triglicérides altos e baixos níveis de colesterol HDL.Pessoas com essa síndrome também tendem a apresentar altos níveis de uma proteína conhecida como proteína C-reagente, ou CRP, que é liberada durante processos inflamatórios e recentemente tem sido associada a doenças cardíacas.?De longe, as pessoas que temos visto com doenças cardíacas são pessoas com a síndrome metabólica, já que o aumento de peso é a força propulsora e as pessoas estão ganhando peso?, disse Arshed Quyyumi, professor de Cardiologia da Emory School of Medicine.Estudos indicam que 55 milhões de americanos se encaixam nos critérios de diagnóstico da síndrome metabólica. Mas os cientistas ainda discordam sobre as causas da síndrome, como diagnosticá-la, como tratar o paciente portador da síndrome e até mesmo como deve ser denominada.Em 1988, o Gerald Reaven, um endocrinologista de Stanford, foi o primeiro a descrever um grupo de fatores de risco de baixo nível que tendiam a viajarem juntos e que aumentavam substancialmente o risco de doença cardíaca.Ele chamou-o de Síndrome X, e observou que os pacientes com esses fatores de risco também tinham baixos níveis de LDL, o tipo relacionado com risco mais alto para doenças do coração.?Todo mundo pensava que todas as doenças cardíacas eram provenientes de se ter colesterol de LDL alto?, disse Reaven. ?Mas não, um grupo grande que corre esse risco são pessoas são resistentes à insulina e que têm esses outros favores, mas que não têm colesterol alto.?Três anos mais tarde, um relatório do Programa Nacional de Educação de Colesterol do Instituto Nacional da Saúde reconheceu esta constelação de riscos, enfatizou a obesidade como um componente fundamental, renomeou como síndrome metabólica (relegando a Síndrome X para os livros de história) e providenciou testes de diagnóstico que seriam fáceis para de serem aplicados por um médico de primeiros socorros.O relatório aconselhava que a síndrome devia ser diagnosticada em pessoas que tivessem de três dos cinco fatores de risco: cintura larga, taxa de triglicérides alta, baixo HDL, pressão sanguínea um tanto elevada e taxas elevadas de triglicérides e de pré-diabete.Mas nem todos concordam. Alguns endocrinologistas, entre eles Reaven, preocupam-se que os critérios para diagnóstico excluam pessoas resistentes a insulina, cujas células são menos sensíveis à insulina, mas que podem não estar acima do peso nem apresentar três fatores de risco.

Agencia Estado,

11 de maio de 2005 | 15h46

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