Colisão de íons imita primeiros instantes do universo

A colisão de íons de ouro produzido por um acelerador de partículas reproduziu, durante um breve instante, o plasma de quark e glúon, fluido perfeito idêntico ao gerado logo após o Big Bang, anunciou nesta segunda-feira uma equipe de pesquisadores do laboratório Nacional de Brookhaven, EUA.O acelerador do laboratório tem túneis magnéticos de 3,86 quilômetros. Dentro deles, uma partícula é capaz de viajar a impressionantes 99,995% da velocidade da luz (cerca de 300 mil km/s no vácuo).Ao iniciar a pesquisa, os cientistas esperavam que a colisão produzisse uma dispersão das partículas em forma de gases. Ao contrário, contudo, elas se manifestaram em forma de um fluido perfeito, sem turbulências e variações de trajetória aleatórias.De acordo com Sam Aronson, diretor adjunto de Física Nuclear e de Alta Energia de Brookhaven, a pesquisa resultou na formação de "um novo estado da matéria", embora por um instante ínfimo (menos de um setilionésimo de segundo). "A colisão imitou assim o ocorrido com o universo há 13 bilhões de anos, quando quarks e glúons se esfriaram e formaram as formas de matéria que conhecemos hoje", explicou Aronson. O encontro das partículas de ouro gerou uma temperatura de centenas de milhões de vezes àquela encontrada no interior do Sol.Aronson e seus colegas apresentaram os resultados nesta segunda-feira, durante reunião da Sociedade de Física dos EUA, em tampa, na Flórida. Os cientistas trabalharam sobre a teoria de uma explosão primária, a grande explosão (Big Bang), que é atualmente a mais aceita para o início do universo. Segundo a teoria, por um brevíssimo instante após a explosão, toda a matéria esteve em forma líquida, um plasma de glúons e quarks.

Agencia Estado,

18 de abril de 2005 | 17h40

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.