Hagai Perets
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Colisão de planeta parecido com a Terra teria formado a Lua

Estudo mostra que a Theia, que teria colidido com a Terra, tinha composição química semelhante à do nosso globo

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

08 Abril 2015 | 21h10

O planeta que colidiu com a Terra e levou à formação da Lua tinha uma composição química semelhante à do nosso planeta, de acordo com um novo estudo publicado hoje na revista Nature.

Nos primeiros 150 milhões de anos depois da formação do Sistema Solar, um planeta quase do tamanho de de Marte - batizado como Theia - se chocou com a Terra, lançando ao espaço restos e destroços que depois se fundiram formando a Lua. Essa teoria, conhecida como "Big Splash" parecia explicar de forma satisfatória a formação do nosso satélite, até que, a partir de amostras recolhidas na missão Apolo, descobriu-se que a composição química da Lua é parecida demais com a da Terra para que o satélite tenha sido formado por outro corpo celeste. Agora, fazendo novas simulações, os cientistas mostraram que há alta probabilidade de que Theia tivesse composição muito semelhante à da Terra, reforçando assim a teoria do Big Splash.

A maior parte das simulações numéricas já realizadas aponta que, com o impacto gigantesco, a a maior parte do material que formou a Lua deve ser proveniente de Theia e não da Terra em formação. Um fato, no entanto, desafiava essa tese: os outros corpos no Sistema Solar e no cinturão de asteróides localizado entre Marte e Júpiter têm composição bem diferente da Terra, ao contrário do que ocorre com a Lua.

A equipe de pesquisadores coordenada por Alessandra Mastrobuono-Battisti, do Instituto de Tecnologia de Israel, realizou novas simulações de colisões entre proto-planetas. As simulações, 10 vezes mais precisas que as anteriores, permitiu a comparação da composição de cada planeta sobrevivente com o planeta causador do impacto. Com isso, a equipe descobriu que de 20% a 40% dos planetas colisores têm composições similares à dos planetas colididos. Segundo os autores, isso explica as semelhança de composição da Terra e da Lua - e porque suas composições diferem dos outros planetas do Sistema Solar.

Dois outros estudos publicados na mesma edição da Nature reforçam também a teoria do Big Splash, a partir da composição de isótopos - as variações nos números de nêutrons de um átomo que funcionam como um "DNA geológico". Ao revelar diferenças entre as medições de isótopos de tungstênio na Lua e na Terra, os cientistas concluíram que o impacto planetário que originou a Lua provocou a deposição de uma "camada tardia" de materiais tanto sobre o planeta como sobre seu satélite. Medições anteriores não haviam sido capazes de distinguir entre as composições de isótopos de tungstênino da Lua e da Terra e, segundo os autores, as diferenças reveladas fornecem informações que poderão aprimorar os modelos teóricos de formação lunar.

Segundo os dois novos estudos, coordenados por cientistas da Universidade de Münster (Alemanha) e da Universidade de Maryland (Estados Unidos), a crosta e o manto da Terra têm um excesso de elementos com afinidade ao ferro, como o tungstênio. Isso sugere que a maior parte desses elementos veio de uma "camada tardia" de material que se acumulou depois do impacto de Theia com a Terra - o que explicaria porque o tungstênio não foi incorporado no núcleo da Terra, composto de ferro. Se a teoria estiver certa, a Terra e a Lua deveriam ter composições diferentes de tungstênio - que foi constatado pelos dois estudos. A análise das rochas lunares revelou um excesso no isótopo 182W do tungstênio da Lua, em relação ao que existe no manto da Terra.

"A diferença na composição dos isótopos de tungstênio na Lua e na Terra é pequena, mas relevante - e corresponde perfeitamente às quantidades diferentes de material agregado pela Terra e pela Lua após o impacto. Isso significa que, logo após a formação da Lua, ela tinha exatamente a mesma composição dos isótopos do manto da Terra", disse Richard Walker, coautor de um dos estudos. De acordo com os pesquisadores, é provável que o material gerado pelo impacto pode ter se misturado logo antes da fusão e resfriamento que gerou a Lua.

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