Del Baston/Center for American Archeology
Del Baston/Center for American Archeology

Colonizadores dizimaram população canina nas Américas, diz estudo

As possíveis razões incluem enfermidades, perseguição cultural ou desejo dos europeus de criarem seus próprios cachorros. Estudo foi publicado na Science

O Estado de S.Paulo

07 Julho 2018 | 03h00

Os europeus que colonizaram a América desde o século XV dizimaram não só as populações nativas, mas também os cachorros domesticados que habitavam o continente. Isso é o que afirma um grupo de cientistas após um extenso trabalho de investigação arqueológica e genética.

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Os cachorros mais antigos do continente americano datam de 9,9 mil anos atrás, cerca de 6,5 mil depois da chegada dos primeiros humanos. Uma equipe de 50 investigadores analisou amostras de DNA de 71 cachorros encontrados na América do Norte e na Sibéria e compararam geneticamente com os cachorros modernos. 

O resultado, publicado nesta sexta-feira, 6, na revista Science, confirma com um grau de certeza sem precedentes que os cachorros americanos chegaram pelo Estreito de Bering, a mesmo rota dos humanos. Estes cachorros viveram durante milênios com seus donos até que foram atacados em poucos séculos com a chegada dos europeus.

O DNA dos cachorros americanos modernos não tem nada em comum com os antigos, que descendem dos cachorros da Sibéria oriental. "É impressionante ver que uma população de cachorros que viveu em muitas regiões das Américas durante milhares de anos, e que formavam parte integral das culturas dos nativos, tenha desaparecido tão rápido", disse o principal autor do estudo, Lawrence Frantz, especialista em DNA da Universidade Queen Mary, em Londres.

As possíveis razões incluem enfermidades, perseguição cultural ou desejo dos europeus de criarem seus próprios cachorros. Mas a velocidade de desaparecimento surpreendeu os investigadores. Os labradores modernos e chihuahuas têm raízes euroasiáticas introduzidas na América entre os séculos XV e XX, escreveu a arqueóloga Angela Perri, da Universidade de Durham, na Inglaterra. 

O estudo é um passo importante, mas não final, sobre a compreensão da evolução canina. "A história dos cachorros americanos apenas começou a ser descoberta", disse Linda Goodman, de Stanford, e Elinor Karlsson, da Universidade de Massachusetts no artigo. /AFP

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