Com comoção e oito minutos de aplausos, João Paulo II é beatificado

Cerimonial precisou pedir silêncio para que Bento XVI pudesse seguir com evento; 1 mi assistiram

José Maria Mayrink, do Vaticano,

01 Maio 2011 | 15h19

Aplausos, sorrisos e lágrimas, tudo emoção e alegria. João Paulo II, o polonês Karol Wojtyla que governou a Igreja Católica por mais de 26 anos, de 1978 a 2005, virou beato às 10h38 (5h38 no horário do Brasil, quando seu sucessor e amigo, o papa Bento XVI pronunciou a fórmula da beatificação. "Com a nossa autoridade, concedemos que o venerável servo de Deus João Paulo II seja chamado de beato e que se possa celebrar a sua festa todos os anos, no dia 22 de outubro, nos lugares e conforme as regras estabelecidas pelo direito", disse Bento XVI, em latim, atendendo a um pedido do cardeal Agostino Vallini, vigário geral para a diocese de Roma.

 

Seguiram-se oito minutos de palmas, enquanto um coral repetia, com a multidão, três vezes "Amen". Na janela principal da fachada da Basílica de São Pedro, uma cortina correu devagar para mostrar um rosto sorridente e ainda cheio de juventude de João Paulo II, com uma auréola de santo aplicada em fundo de céu azul. A freira francesa Marie Simon Pierre, beneficiada pelo milagre aprovado para a beatificação, depositou junto do altar uma relíquia de seu benfeitor - uma ampola com sangue colhido no hospital, em seus últimos de vida.

 

"Giovanni Paolo, Giovanni Paolo!", gritaram os compatriotas poloneses, num entusiasmo contagiante que a multidão ecoou. Havia mais de 1 milhão de fiéis na Praça de São Pedro e suas imediações, segundo o Vaticano. Ou 1,5 milhão, de acordo com os cálculos da polícia de Roma. A julgar pelas bandeiras vermelho e brancas, os poloneses eram maioria na praça, cerca de 80 mil peregrinos, até a véspera da celebração.

 

Adultos ou jovens, eram peregrinos piedosos, que se ajoelharam com os olhos molhados de lágrimas para invocar o Beato Karol Wojtyla. "Rodamos 20 horas, da região de Cracóvia até Roma, para viver esse momento", revelou a bibliotecária Bárbara Kawka, que viajou com sete amigos, em dois carros para assistir a beatificação. Dormiram na rua, perto da basílica, numa noite fria que ameaçava chuva.

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