Comércio inclui crueldade, subornos e impunidade

Divulgação Mico leão dourado custa R$ 500 aqui e US$ 20 mil na Europa O comércio ilegal dentro do Brasil é praticado principalmente por caminhoneiros, motoristas de ônibus - de empresas que fazem vista grossa para a atividade -, pequenos comerciantes e retirantes que deixam suas comunidades em busca de grandes centros. O comércio internacional, por ser sofisticado, inclui subornos e a condescendência de funcionários do próprio governo, de empresas aéreas e até de políticos. "Material genético, ovos e pequenos animais, incluindo cobras, saem do País nas malas de passageiros em viagens aéreas, enfiados em pedaços de tubos de PVC", conta Dener Giovanini, da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas). No tráfico interno, que representa 60% do total, os valores dificilmente ultrapassam US$ 200 por animal, enquanto no mercado internacional esses mesmos animais atingem milhares de dólares. O mico leão dourado é vendido no Brasil por R$ 500 e na Europa, por US$ 20 mil. O pássaro melro é encontrado nas feiras livres do sul do País por R$ 80 - nos Estados Unidos vale US$ 2,5 mil. Benevolência - A legislação que pune com rigor o caçador é benevolente com o grande traficante. "Se eu for pego no aeroporto de Miami com 10 ovos de arara na maleta, uma carga valiosíssima, de US$ 100 mil, vou ser condenado a pagar três cestas básicas." Por essa razão, segundo ele, esse comércio está atraindo os traficantes de drogas, armas e pedras preciosas. "É muito dinheiro em jogo." A maioria dos animais brasileiros comercializados ilegalmente provém das regiões Norte (Amazonas e Pará); Nordeste (Maranhão, Piauí, Pernambuco e Bahia); e Centro-Oeste (Mato Grosso e Mato Grosso do Sul). De lá são escoados para as regiões Sudeste (Rio e São Paulo) e Sul (Paraná e Rio Grande do Sul), utilizando as rodovias federais e rotas aéreas. Uma rota importante do tráfico internacional situa-se nas fronteiras dos Estados da Amazônia com Guiana, Venezuela, Colômbia, Suriname e Guiana Francesa. Ao menos nessa área, que representa 60% do território brasileiro e tornou-se o espaço mais visado do planeta, a liberdade com que atuam os traficantes e biopiratas pode estar com os dias contados. A Renctas acaba de assinar convênio com o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), vinculado à Casa Civil da Presidência da República, para utilizar a sofisticada estrutura de equipamentos destinados à vigilância e proteção daquele território, criada pelo Sistema de Vigilância da Amazônia, o Sivam. "São centenas de radares e aeronaves com sensores capazes de detectar qualquer movimento diferente na mata", disse Giovanini. As informações sobre eventual ação predatória serão repassadas em tempo real ao Ibama e à Polícia Federal, parceiros da Renctas. Segundo a Casa Civil, 70% da rede do Sipam já está operando.

Agencia Estado,

07 de abril de 2003 | 08h39

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