Comitê pede repasse imediato de recursos ao Paraíba do Sul

Na semana dedicada à preservação ambiental, integrantes do Comitê para Integração da Bacia do Rio Paraíba do Sul (Ceivap) fazem um apelo ao governo federal. Eles querem o repasse imediato do dinheiro arrecadado com a cobrança pela água do Paraíba do Sul. Nos três primeiros meses da cobrança, iniciada em março deste ano, foi arrecadado aproximadamente R$ 1,6 milhão, dinheiro que será repartido entre São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.Em reunião realizada em Resende (RJ) na última sexta-feira, integrantes do Ceivap destacaram a necessidade de se cumprir o artigo 22 da lei que estipula a cobrança pelo uso da água do Paraíba do Sul, que é o retorno imediato às ações de preservação e limpeza do rio. De acordo com o Ceivap, o repasse seria diretamente para as empresas executoras, como a Sabesp e o Sae (Sistema de Água de Esgoto) para obras de despoluição do rio, por meio do tratamento de esgoto, ações de combate a erosão e reflorestamento e ações de educação ambiental."O dinheiro é pouco, mas já dá para começar a fazer alguma coisa pelo rio. O que não podemos aceitar é que o recurso fique parado nos cofres da União", afirmou um dos integrantes do Ceivap, Edílson de Paula Andrade. De acordo com Andrade, usuários do Paraíba do Sul que participaram da reunião concluíram que se o Governo Federal não acenar positivamente sobre os recursos até junho, a cobrança poderá ser interrompida. "Hoje o índice de inadimplência é de cerca de 15% mas pode se tornar maior caso os usuários percebam que o governo não está repassando o dinheiro."No Estado de São Paulo, a situação atual do Paraíba do Sul é preocupante. No trecho entre Jacareí e Taubaté o índice de oxigênio na água é de 1mg/litro. O normal para que peixes sobrevivam é de 5 mg/litro. "Nos últimos 13 anos, o índice foi de 2 mg/litro, mas como as represas seguraram a água, o índice de poluição chegou a esse nível", explica o especialista. As represas Paraibuna, Santa Branca e Jaguari, que lançam suas águas sobre o Paraíba, estão com nível de água 15% menor do que o necessário.O lançamento de esgoto doméstico sem nenhum tipo de tratamento no Paraíba do Sul lidera a lista dos problemas do rio. As cidades do Vale do Paraíba jogam no rio 95 toneladas de esgoto por hora e apenas 27% dos municípios tem tratamento de esgoto. São José dos Campos (45% de tratamento) e Caçapava (100% de tratamento) são alguns bons exemplos. As indústrias, antes consideradas as vilãs da poluição, hoje tratam 90% de seus produtos químicos antes de lançá-los no Paraíba.EducaçãoNesta semana cerca de 5 mil crianças devem participar de atividades promovidas pelo Comitê de Bacias Hidrográficas do Paraíba do Sul do trecho paulista. Doze cidades estarão recebendo a visita de ambientalistas e vão participar de palestras, passeios e plantio de mudas às margens do rio. "A idéia é conscientizar os estudantes para que eles sejam multiplicadores da preservação do rio", argumenta o secretário do Comitê, Romildo Eugênio de Souza.Em São José dos Campos, por exemplo, crianças da rede municipal de ensino vão participar da limpeza do rio com a ajuda de voluntários. Em Jacareí, no dia 5 de junho, a indústria química Rohm and Haas inicia um trabalho de gestão ambiental com o plantio de 1,5 mil mudas de diversas espécies da flora brasileira às margens do Paraíba do Sul. A primeira muda será plantada por um grupo de 45 estudantes.

Agencia Estado,

02 de junho de 2003 | 17h32

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.