Computador simula a estrutura da matéria oculta do Universo

Gás que se espalha pelo vácuo estaria preso em filamentos com centenas de anos-luz, mostra gráfico

06 de dezembro de 2007 | 17h24

Boa parte da massa gasosa do Universo está presa em um emaranhado de filamentos cósmicos que se esticam por centenas de milhões de anos-luz, de acordo com uma nova simulação de supercomputador programada por uma equipe liderada por pesquisadores da Universidade do Colorado em Boulder (EUA).   O estudo indica que uma parcela significativa do gás nos filamentos - que conectam aglomerados de galáxias - está oculta em enormes nuvens gasosas no meio intergaláctico, conhecido como Meio Intergaláctico Quente-Frio ("Whim", na sigla em inglês), disse o pesquisador Jack Burns, do Departamento de ciências planetárias e Astrofísica da UC-Boulder.   A equipe de Burns realizou uma das maiores simulações cosmológicas já feitas, enfiando 2,5% do universo visível em um modelo virtual de um espaço com mais de 1,5 bilhão de anos-luz de diâmetro. Um artigo descrevendo os resultados será publicado no Astrophysical Journal.   Segundo Burns, o código da simulação levou quase dez anos para ficar pronto e inclui virtualmente toda a física conhecida do Universo, até quase o Big Bang.  O programa modela o movimento da matéria ao contrair-se sob os efeitos da gravidade, até tornar-se densa o bastante para formar filamentos cósmicos e estruturas galácticas.   Segundo a teoria cosmológica mais aceita, o Universo é feito de 25% de matéria escura, 70% de energia escura - duas substâncias das quais os cientistas sabem muito pouco - e 5% de matéria "normal", que compõe estrelas e planetas e é feita, principalmente, de uma família de partículas chamada bárions.   Mas cerca de 40% dos bárions ainda não foram encontrados, diz Burns, e muitos astrofísicos acreditam que eles estejam ocultos no "Whim".

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