Comunidade faz manejo de açaizais no Pará

O Ibama acaba de aprovar o primeiro plano de manejo comunitário de açaizais do Pará, que está sendo desenvolvido por comunidades moradoras das várzeas estuarinas do rio Amazonas, próximas à Ilha de Marajó. A grande inovação do projeto, que beneficia 24 famílias, é se concentrar na exploração dos frutos de açaí e não apenas no palmito.?A utilização dos frutos é mais vantajosa para as comunidades do que o palmito. Com o corte de mil cabeças de palmito, a uma média de R$ 0,25 por cabeça, uma família pode obter R$ 250,00, aproveitando a estipe somente uma vez. Manejando o açaizeiro para comercializar o fruto, a renda média mensal pode chegar a R$ 470,00?, explica o engenheiro florestal Carlos Augusto Ramos, responsável pela execução do plano de manejo.Elaborado pela Associação dos Trabalhadores Rurais do Rio Marajoí (ATRM), do município de Gurupá, em conjunto com a Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional (Fase), o projeto totaliza 72 hectares (ha) de açaizais nativos, com cada família manejando 3 ha, área que não extrapola a capacidade familiar de trabalho.?Esperamos aumentar a comercialização dos caroços, para extração da polpa, e também do palmito, permitindo a preservação da floresta que está se recuperando?, conta José Trindade, presidente da Associação. Segundo ele, a retirada indiscriminada de palmito, para venda às grandes fábricas, tinha reduzido drasticamente os recursos da floresta, como a caça, que diminuiu em 70%. ?As grandes empresas chegavam e compravam o açaí, depois alugavam as propriedades e traziam pessoas de fora para extrair o palmito?, conta Trindade. A precariedade que se seguiu, fez com que os próprios moradores começassem a se organizar, a partir de 1988, para mudar a situação. A parceria com a Fase teve início em 1997, quando começou a recuperação da floresta. ?Agora, a pesca e a caça começam a voltar?, comemora. /DivulgaçãoComunitários demarcam a área a ser manejada, utilizando trenas e bússola.Segundo o engenheiro da Fase, o corte do palmito sem o manejo adequado acaba destruindo os açaizais e deixa os ribeirinhos sem o fruto, que é um item básico na alimentação local. ?Com o manejo consorciado, voltado para o fruto, as comunidades continuam a ter o vinho (um tipo de mingau de açaí consumido na região) e vendem a polpa para sucos?, explica Ramos.Com o plano de manejo, a comunidade quer conseguir também a certificação florestal e, com isso, agregar ainda mais valor ao seu produto. ?Este é o segundo plano de manejo comunitário de açaizais do Projeto Fase Gurupá. O primeiro, aprovado em novembro de 2001, na ilha de Santa Bárbara, no Amapá, já está em execução. Esperamos agora conseguir aumentar o número de comunidades no projeto?, diz Ramos.

Agencia Estado,

12 de abril de 2002 | 12h51

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