Comunidades bloqueiam rio Jaraucu no Pará

Cerca de 600 pessoas bloquearam hoje o rio Jaraucu, em Porto de Moz, no Pará, para protestar contra a destruição da floresta e pedir a criação de uma reserva extrativista na região. Os manifestantes fazem parte das 125 comunidades tradicionais do município, localizado na foz do rio Xingu com o Amazonas, em uma área da Amazônia conhecida como Terra do Meio, a mais afetada no Estado pela pressão madeireira.?Madeireiros e fazendeiros estão invadindo nossa terra e destruindo nossa floresta e o futuro dos nossos filhos. Eles devem sair e devolver a floresta para seus reais donos: as pessoas da Reserva Verde Para Sempre?, disse Cláudio Wilson Barbosa, coordenador do Comitê para o Desenvolvimento Sustentável de Porto de Moz. O rio Jaraucu, com 100 metros de largura, foi fechado por mais de 50 barcos.Segundo os organizadores do protesto, que contou com o apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Greenpeace, o Jaraucu é o principal meio para transporte de madeira ilegal na região, conhecida por grilagem de terras e exploração madeireira ilegal. A criação da Reserva Verde Para Sempre foi proposta em 1999, por um grupo de trabalho voltado para discutir o uso e manejo sustentável dos recursos naturais da região, mas enfrenta resistência de fazendeiros e políticos locais. A área sugerida para a reserva tem 1,3 milhão de hectares, o equivalente a quase metade do território da Bélgica.As reservas extrativistas (resex) são áreas destinadas à conservação e ao manejo sustentável dos recursos naturais, realizado por populações tradicionais que residem na área. Este modelo foi desenvolvido nos anos 80 por seringueiros sob a liderança do sindicalista Chico Mendes, no Acre, e adotado pelo Governo Federal em 1990. ?Acreditamos que a resex é um dos caminhos para garantir o uso sustentável dos recursos naturais e para barrar a destruição em Porto de Moz?, disse Marcelo Marquesini, da campanha Amazônia do Greenpeace.A entidade divulgou, durante o protesto, um mapa das áreas de exploração ilegal, grilagem de terras e áreas de floresta controlada por madeireiros no município. O documento é resultado de mais de cinco anos de investigação e lista empresas nacionais e internacionais envolvidas direta ou indiretamente com a exploração na região.

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