Conclave papal tem raízes em turbulento século 13

Quando os cardeais católicos entrarem no conclave secreto para escolher um novo papa na terça-feira, estarão seguindo um ritual que data do século 13, quando as eleições papais poderiam durar anos e alguns cardeais morriam durante o cansativo processo.

KEITH WEIR, Reuters

11 Março 2013 | 15h50

O termo conclave vem do latim "com uma chave", e se refere à prática de prender cardeais longe dos olhos curiosos do mundo, permitindo que eles escolham um novo papa sem interferência externa.

Os 115 cardeais eleitores vão desaparecer da vista pública na terça-feira para votarem na Capela Sistina um sucessor do papa Bento 16, que irá liderar os 1,2 bilhão de católicos romanos do mundo.

Uma coluna de fumaça branca de uma chaminé do Vaticano, significando que uma decisão foi alcançada, é esperada em poucos dias se os conclaves dos últimos 100 anos são referência.

Mas nem sempre foi tão fácil.

A eleição de Gregório X em setembro de 1271, numa época em que a Igreja estava dividida politicamente, ocorreu depois de quase três anos de deliberações na cidade de Viterbo, 85 km ao norte de Roma.

Após dois anos inconclusivos, os habitantes locais, frustrados, se amotinaram, retiraram o telhado do palácio onde os cardeais estavam reunidos - supostamente, para deixar o Espírito Santo unir-se a eles - e cortaram o fornecimento de alimentos para estimulá-los a romper o impasse.

PROVA

As condições eram tão duras que dois cardeais morreram e um terceiro teve que deixar o conclave devido à má saúde antes que os remanescentes terminassem escolhendo Gregório.

Gregório estava determinado a fazer com que essa prova nunca mais acontecesse. Ele decretou em 1274 que no futuro os cardeais seriam trancados em uma sala com um lavatório adjacente no palácio papal dentro de 10 dias da morte do pontífice.

Depois de três dias, se nenhum papa tivesse sido eleito, eles receberiam apenas um prato no almoço e jantar, em vez de dois. Depois de cinco dias, eles receberiam apenas pão, água e um pouco de vinho até que chegassem a uma decisão.

O valor das novas regras foi enfatizado quando levou mais de dois anos para produzir uma das escolhas mais esquisitas para um papa em 1294.

O impasse terminou apenas quando o cardeal italiano Latino Malabranca declarou que um suposto ermitão santo, Pietro Del Morrone, tinha profetizado a retribuição divina para os eleitores que fracassaram durante tanto tempo para encontrar um novo papa.

Os cardeais, preocupados, concordaram em votar pelo ermitão e Morrone, na casa dos 80 anos, superou sua surpresa decidindo que era vontade de Deus. Ele entrou na cidade italiana de Áquila em cima de um burro para ser coroado Celestino V.

Mas o cargo não satisfez o ex-ermitão e ele renunciou depois de apenas alguns meses, o último papa a sair voluntariamente até Bento 16, no final de fevereiro.

Gregório XII abdicou relutantemente em 1415 para pôr fim a uma disputa com um pretendente rival à Santa Sé, o último pontífice a renunciar por um motivo antes de Bento.

O último ato de Celestino foi restaurar as regras de conclave de 1274, que incluíam uma proibição rígida a comunicações com os cardeais eleitores e que servem de base ao segredo das eleições papais até os dias de hoje.

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