Concurso busca idéias para salvar albatrozes

Um prêmio internacional de 18 mil euros (R$ 72 mil) aguarda o autor da melhor idéia para evitar que aves marinhas ? sobretudo albatrozes e petréis - sejam acidentalmente capturadas em anzóis, na pesca de espera de alto mar. O concurso de idéias é promovido pela Sociedade Espanhola de Ornitologia (SEO), com recursos da rede BirdLife International (Reino Unido, Holanda, Espanha), da Caixa da Galícia e de um patrocinador particular britânico. No Brasil, a iniciativa conta com o apoio dos projetos Tartarugas Marinhas (Tamar) e Albatroz. Voltado especialmente para pescadores, o concurso pretende estimular a criação de dispositivos de segurança mais eficazes para os espinhéis, que são longas linhas com vários anzóis e peixes como iscas, usadas na pesca oceânica pelágica (de meia-água) de espadartes, atuns e tubarões e na pesca de fundo (45 a 80 metros), de namorados e chernes. A média mundial de captura acidental é de 2,23 aves para cada mil anzóis. Segundo um levantamento feito pela Comissão para Conservação dos Recursos Vivos da Antártida (CCAMLR), apenas os espinhéis de fundo, destinados ao peixe Dissostichus eleginoides, capturaram involuntariamente cerca de 250 mil aves marinhas, num período de dois anos.Vítimas freqüentes, os albatrozes estão entre as maiores aves marinhas, chegando a ter dois metros de envergadura de asas. A maioria das espécies tem o corpo branco com partes das asas negras. Já os petréis são mais escuros ? alguns totalmente marrons ? e menores, com uma envergadura média de asas em torno de 1,4m. Tanto albatrozes como petréis são capazes de mergulhar fundo, voam grandes distâncias e podem ser encontrados muito longe do Continente. Em geral, seguem os barcos atrás de sobras de pesca. Quando os espinhéis são lançados, as aves mergulham atraídas pelas iscas e ficam presas nos anzóis, afogando-se quando a linha afunda. No Brasil, estima-se que ocorram 1.600 mortes de albatrozes em espinhéis, por ano, só no litoral Sul e Sudeste.O uso de medidas mitigadoras é incentivado pelo Projeto Albatroz, que trabalha com a educação ambiental dos pescadores e acaba de inaugurar uma nova sede no Terminal do Porto de Santos, no litoral paulista. Algumas embarcações da frota nacional já adotaram os torilines, ou cabos com fitas rebocados sobre os espinhéis, para atrapalhar a visão que as aves têm das iscas.Outras alternativas conhecidas, para diminuir os acidentes, são o tingimento das iscas com corantes alimentícios azuis, para torná-las menos visíveis; a pesca noturna, quando as aves não estão ativas, e o descarte de pescados do lado oposto ao espinhel, para distrair as aves. O método mais eficaz é o tingimento das iscas, que não interfere na pesca e diminui a captura de aves para 0,12 para cada mil anzóis. Mas ainda há resistências para sua adoção.As novas idéias serão julgadas por um grupo de especialistas internacionais, entre os quais estarão pesquisadores, ornitólogos, pescadores e marinheiros. O prazo para inscrições vai até 30 de junho de 2003.

Agencia Estado,

28 de janeiro de 2003 | 12h42

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.