Conferência aponta caminho para conservar oceanos

A conferência "Desafiando o Fim dos Oceanos", terminou hoje, em Los Cabos, no México, com um detalhado plano de ação para a conservação dos oceanos, proposto pelos 150 cientistas, economistas, representantes governamentais e ambientalistas, reunidos durante cinco dias. A implementação deste plano já conta com um primeiro fundo de US$ 5 milhões de dólares, sob responsabilidade da Conservation International, que coordenou o evento e deve assegurar a continuidade do processo, através de redes virtuais e novos encontros, além de programas em parceria com o setor privado e institutos de pesquisa. O fundo deverá ter uma contrapartida de US$ 4 milhões, ainda a serem levantados com novos doadores, totalizando US$ 9 milhões para os primeiros 5 anos. O financiamento do plano de ação completo ainda não tem uma estimativa final de custos, mas deve ficar em torno de US$ 18 bilhões para os primeiros 10 anos.?É espantoso considerar que, nas últimas poucas décadas, nós acabamos com a vasta maioria dos peixes nos oceanos e alteramos significativamente a forma como os sistemas marinhos funcionam? disse o fundador da Intel, Gordon Moore, que financiou a reunião. ?Mas se usarmos a ciência de forma positiva e implementarmos um plano de ação factível ainda temos uma pequena chance de reverter estas tendências".Entre as recomendações finais estão, em linhas gerais:Estabelecer um World Ocean Public Trust, mecanismo legal para regular a exploração de 60% dos oceanos, considerados águas internacionais, em nome da Humanidade e revertendo em benefício da Humanidade. Atualmente não há controle internacional efetivo, embora existam alguns tratados parciais. Com isso, a exploração, sobretudo do pescado, é predatória.Expandir o Sistema Global de Áreas Marinhas Protegidas, que atualmente abrange menos de 1% dos ecossistemas oceânicos, com especial atenção aos recifes de coral e montanhas submersas. A ampliação teria de mudar a escala de proteção, multiplicando tanto o número de parques e reservas como a área total protegida e a conexão entre as diferentes unidades de conservação.Promover um esforço massivo de pesquisa para aumentar o conhecimento sobre os ecossistemas marinhos, sua biodiversidade e suas funções, com destaque para as espécies ameaçadas de extinção.Criar uma Ética dos Oceanos através de uma campanha, na mídia, sobretudo nos países de maior consumo e/ou maior biodiversidade, para acabar com o mito de que os oceanos são infinitos e podem absorver os efeitos da negligência e abuso humanos.?A origem da vida terrestre está no mar e a saúde da Humanidade está diretamente relacionada com a saúde dos oceanos", concluiu Sylvia Erle, diretora do Programa Marinho Global da Conservation International e coordenadora científica do evento. "E o oceano e a vida marinha estão realmente em perigo, de modo que não poderíamos organizar uma conferência apenas para elaborar uma lista de desejos e sair ilesos, portanto espero que todos voltem para casa com disposição de ir muito além disso e continuar trabalhando em defesa dos oceanos". Clique aqui para ver o especial Oceanos em declínio

Agencia Estado,

03 de junho de 2003 | 15h14

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.