Conferência de Milão tenta fazer avançar protocolo de Kyoto

Uma conferência da Organização das NaçõesUnidas (ONU) sobre mudanças climáticas começou nestasegunda-feira (01) com seus organizadores afirmando que existemprovas científicas inquestionáveis de que os seres humanos sãoresponsáveis pelo aquecimento global. Entretanto, o encontro traz à tona novas dúvidas sobre aviabilidade do Protocolo de Kyoto para a redução dos gasescausadores do efeito estufa. Na posição de anfitrião do encontro, o ministro de Ambiente daItália, Altero Matteoli, disse hoje em Milão que gostaria de terrecebido os delegados estrangeiros para uma reunião sobre umtratado que já estivesse em vigor. Mas agora que a Rússiasinalizou que não implementaria o acordo, a oportunidade foiperdida. "Porém, isso não significa o enfraquecimento de nossocomprometimento e de nosso trabalho pelo fortalecimento dasestratégias globais para a redução das emissões de gasescausadores do efeito estufa, além do fortalecimento da adaptaçãodas regiões do planeta mais vulneráveis às mudanças climáticas",declarou. O Protocolo de Kyoto, negociado em 1997 no Japão, estabelecemetas para a redução das emissões de poluentes. Em 2012, asemissões deveriam estar oito pontos porcentuais abaixo dosíndices de 1990. Os Estados Unidos rejeitaram o plano em 2001, alegando que otratado seria prejudicial à sua economia. O presidente dos EUA,George W. Bush, chegou a questionar as informações científicasque embasam o documento e pediu a realização de novaspesquisas. Hoje, o ministro de Ambiente da Hungria, Miklos Persanyi, quepreside o encontro, comentou: "Não devemos nos esquecer de que oaquecimento global provocado pelos humanos é um risco ao futurode todos." E alertou: "A conexão entre a maior concentração dos gasescausadores do efeito estufa e as atividades humanas que geram apoluição já é inquestionável." Para entrar em vigor, o Protocolo de Kyoto precisa serassinado por pelo menos 55 países, incluídos os responsáveis porcausar 55% de toda a poluição no mundo em 1990. Com os EUA fora do acordo, a cota mínima poderia ser alcançadasomente com a participação da Rússia. Em outubro, porém, opresidente russo, Vladimir Putin, disse acreditar que o acordonão conseguiria reverter as mudanças climáticas nem se todos ospaíses do mundo aderissem a ele. O posicionamento russo gerou incerteza sobre o sucesso daconferência. Alguns participantes dizem duvidar que grandesavanços sejam obtidos e estratégias alternativas deverão serdebatidas nos bastidores.

Agencia Estado,

01 de dezembro de 2003 | 18h31

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