Conferência do Clima pode chegar a acordo com metas para EUA e China

Encontro em Durban pode fechar um pacote climático com metas obrigatórias para os maiores emissores de gases estufa do mundo; após um dia inteiro de impasses, União Europeia e Índia chegaram a um acordo que permitiu avanço das negociações

Afra Balazina, Enviada especial Durban, África do Sul,

11 Dezembro 2011 | 00h28

Os quase 200 países reunidos na 17ª Conferência do Clima da ONU, a COP-17, em Durban, estavam perto de aprovar um pacote climático nesta madrugada que colocaria metas obrigatórias para os maiores emissores de gases-estufa do planeta, os EUA e a China.

Após um dia inteiro de impasse, a União Europeia e a Índia chegaram a um acordo que permitiu o avanço das negociações.

A COP-17 deveria ter terminado na sexta, mas ontem ministros ainda negociavam para tentar fechar o pacote que inclui a continuação do Protocolo de Kyoto e definição de um roteiro para o futuro acordo global, com metas obrigatórias de cortes de emissão de gases-estufa para todos os países, a partir de 2021.

Com divergências nas expressões usadas nos textos, Índia e a União Europeia, com a ajuda do Brasil, concordaram que o acordo futuro terá "força de lei" para todos os países. A comissária da União Europeia para Ação Climática, Connie Hedegaard, agradeceu a flexibilidade da Índia e afirmou que este era um "bom e forte resultado" para a COP-17.

Mas a plenária final começaria por volta das 3h e teria de vencer as críticas de países como Venezuela e Arábia Saudita, que reclamavam da falta de ambição e da fraqueza dos documentos apresentados. Para o Brasil, a prioridade em Durban era garantir um segundo período de compromisso do Protocolo de Kyoto, já que sua primeira fase termina em dezembro de 2012.

A presidente da COP-17, a sul-africana Maite Nkoane-Mashabane, fez um apelo para que os países aprovassem os textos e, assim, fortalecessem o multilateralismo.

Longa duração. A COP-17 ganhou ontem o título de reunião mais longa da história para definir como os países vão combater as mudanças climáticas. Muitos ministros e delegados deixaram Durban - principalmente representantes dos Estados-ilha e das nações menos desenvolvidas.

As duas primeiras plenárias de ontem, uma sobre o Protocolo de Kyoto e outra sobre as ações de longo prazo, tiveram muitos desentendimentos. Na primeira, Claudia Salerno, representante da Venezuela, criticou a União Europeia e a falta de ambição do documento. Na plenária informal que ocorreu depois dessas duas negociações, o embaixador Luiz Alberto Figueiredo Machado afirmou que os países não podiam "perder de vista a importância política" que tinham em mãos. Ele se referia ao fato de a negociação conseguir trazer os EUA e a China para um acordo com força de lei a partir de 2020.

"Temos a oportunidade de abrir uma nova era de cooperação no contexto da Convenção do Clima. Vamos trabalhar para o sucesso da COP na África."

O chefe da delegação americana, Todd Stern, não se manifestou sobre o texto do Protocolo de Kyoto, pois seu país nunca ratificou esse tratado. Falou, sobre o documento das ações de longo prazo, que o texto não era perfeito, mas que apoiava sua adoção.

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