Conferência sobre clima discute ameaças ao continente

Um relatório sobre os danos ambientais causados pelas emissões de gases na América Latina foi o centro das atenções neste sábado em Buenos Aires, onde representantes de 180 países participam da 10.ª Conferência das Partes da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP-10).Elaborado pelo governo mexicano e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), o relatório Mudança climática na América Latina: desafios e oportunidades alerta que a região, com cerca de 300 milhões de habitantes, deve sofrer cada vez mais com enchentes e secas.A América Latina já vem demonstrando alterações consideráveis nos seus padrões de clima, segundo o estudo. "O ambiente da região é extremamente vulnerável", comentou Fernando Tudela Abad, membro da delegação mexicana em Buenos Aires."O aumento da intensidade e freqüência de furacões no Caribe e dos níveis dos rios no Brasil e na Argentina, as mudanças nos padrões das chuvas e a redução das áreas glaciais da Patagônia e dos Andes são fenômenos que indicam o impacto que o aquecimento global pode ter na região", aponta o relatório.ContribuiçãoDo lado da contribuição latino-americana para o agravamento do efeito estufa, o relatório aponta que a produção de energia e a queima de combustíveis nos transportes são as principais fontes de emissões. A região responde por apenas 4,3% das emissões globais de gases, menos que os Estados Unidos, a Europa e a Ásia, mas à frente da África.Cerca de 70% das emissões na região provêm de Brasil, México, Venezuela e Argentina, mas equivalem a apenas 8% da emissão mundial. O documento lembra a ameaça sobre as grandes florestas e relata que o desmatamento na Amazônia brasileira aumentou 32% na década passada.Pequenos países insulares do Caribe, como Trinidad e Tobago e Barbados, junto com a Venezuela, têm nas refinarias de petróleo a maior fonte de gases poluentes. O Paraguai tem nos carros, ônibus e caminhões a origem de 90% das suas emissões. "O impacto da mudança climática dependerá do desempenho das nações no desenvolvimento de medidas de abrandamento e adaptação", adverte o documento. O texto aponta que América Latina e Caribe enfrentam problemas sociais "muito sérios quanto à desigualdade e à pobreza", o que dificulta o desenvolvimento de pautas "que conduzam a uma sustentabilidade capaz de responder aos desafios ambientais". leia mais

Agencia Estado,

11 de dezembro de 2004 | 16h54

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