Conselho adia decisão sobre construção de Angra III

A decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) sobre a construção da usina nuclear Angra III foi adiada por pedido de vistas feito pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. O conselho se reuniu na quarta-feira para tomar a decisão.O secretário -executivo do Ministério do Meio Ambiente, Cláudio Langone, que participou da reunião do CNPE no Ministério de Minas e Energia, disse que houve muitas dúvidas sobre os relatórios de viabilidade energética e ambiental apresentados pelos ministérios do Meio Ambiente, da Ciência e Tecnologia e de Minas e Energia.Segundo Langone, o parecer do Ministério do Meio Ambiente é contra a construção de Angra III, por entender que a geração de energia nuclear não é prioridade no momento, já que existem energias menos impactantes e mais baratas, como a elétrica e a hidrelétrica. O Ministério do MeioAmbiente constatou ainda que não houve avanços tecnológicos significativos para eliminar os riscos de produção de energia nuclear.Foi verificado também que não existe alternativa tecnológica segura para a destinação os rejeitos desse tipo de usina e que as soluções queestão em estudo são caríssimas, segundo o MMA. Os rejeitos das usinas nucleares são classificados como de "alta atividade", com vida útilde 500 anos.Segundo o secretário-executivo, o Ministério de Minas e Energia considera que, do ponto de vista econômico e energético, a produção nuclear também não é prioridade.Já o Ministério da Ciência e Tecnologia, de acordo com Langone, recomenda a conclusão de Angra III para aproveitar os investimentos de US$ 700 milhões já feitos na construção da usina. Segundo ele, ainda são necessários investimentos de US$ 1,8 bilhões.Langone relatou que o MCT considera fundamental a conclusão de Angra III para viabilizar o Programa Nuclear Brasileiro. Segundo ele, será convocada uma reunião extraordinária do CNPE para voltar a examinar o assunto, mas ainda não há data marcada.Ele lembrou que o CNPE é um órgão consultivo e apenas recomenda decisões que devem ser tomadas pelo presidente da República.

Agencia Estado,

14 de abril de 2005 | 09h37

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