Construtora transforma entulho em blocos de concreto

A construtora paulista Racional Engenharia está reciclando o entulho gerado pela demolição parcial de um edifício, no Rio de Janeiro, para a fabricação de blocos de concreto, que serão doados para a construção de casas populares. O projeto envolve a construção de um complexo comercial no centro do Rio, que ocupará uma área de 67 mil metros quadrados no local ocupado pelo antigo Edifício Andorinha (que pegou fogo em 1986) e inclui a reforma de um prédio de 50 anos, localizado ao lado do conjunto, que abrigará as garagens e terá a fachada preservada.Segundo Wilson Pompilio, diretor executivo de construção da Racional, o conceito de reciclagem de entulho na construção civil ainda é novo, mas tem sido aplicado no Sistema de Gestão Ambiental criado pela empresa para reduzir o impacto das obras sobre o meio ambiente. ?Quando implantamos um novo empreendimento, procuramos os pontos críticos da obra. Neste caso, o principal desafio era dar uma destinação adequada aos cerca de 5.000 metros cúbicos de entulho de agregados minerais (concreto, contrapiso, alvenaria e massa), que seriam retirados do local?, explica.A solução encontrada foi alugar um terreno, no distrito de Campo Grande, comprar uma linha de reciclagem para fazer a britagem do entulho e utilizar o material na fabricação de blocos de concreto. O canteiro de reciclagem, realizado em parceria com a empresa norte-americana Hines, incorporadora da obra, exigiu investimento de aproximadamente R$ 400 mil e fica a cerca de 60 Km da construção. ?Infelizmente não encontramos um local mais próximo?, diz Pompilio.O entulho reciclado neste empreendimento deverá gerar cerca de 600 mil blocos de concreto, suficientes para a construção de 600 casas populares. Conforme o diretor da Racional, esse material será doado às secretarias de Habitação do Estado e do Município do Rio de Janeiro, além da Secretaria Municipal de Urbanização, que já aceitaram o material. Como cada bloco custa, em média, R$ 1,00, o projeto eqüivale a uma doação de R$ 600 mil.Pompilio explica, ainda, que a empresa está desenvolvendo tecnologia para a fabricação de outros produtos, para a construção de casas, calçadas, guias etc. A experiência, que inclui testes para o controle químico e físico dos materiais que serão usados na reciclagem, será transformada em um guia e disponibilizado para quem tiver interesse em dar destinação ao entulho de construção. ?O maior benefício do projeto é ambiental, pois o custo do material é apenas 10% a 15% menor do que o produto não-reciclado?. Na sua opinião, se forem computados custos ambientais - como deixar de explorar uma jazida e areia ou pedra, a poluição causada pelos caminhões para transportar esse material das jazidas até os centros urbanos e diminuir os depósitos de resíduos sólidos -, a tecnologia passa a ser bastante interessante, principalmente para o poder público. ?Apenas no município de São Paulo, devem ser produzidos cerca de 20 mil m3 de entulho por mês. Imagine o valor agregado para o meio ambiente de uma central municipal desse tipo. Sem falar em grandes demolições. Quanto de entulho terá sido produzido com a demolição do Carandiru??

Agencia Estado,

02 de julho de 2003 | 14h28

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