Consultor defende energia nuclear contra combustíveis fósseis

Moore prega que apenas essa e hidrelétrica são energias 'limpas', não contribuindo para a mudança climática

Kelly Lima, de O Estado de S. Paulo,

18 de novembro de 2008 | 19h07

O consultor canadense Patrick Moore, de 60 anos, quer no mínimo 600 usinas nucleares instaladas no mundo num curto prazo, ou 160 a mais do que existe hoje. "Somente com uma política agressiva nesta linha, é possível reduzir o domínio da era fóssil", defende. Pregando que apenas este tipo de energia, além da hidrelétrica - em abundância no Brasil, frisa - são "limpas" e eficazes por não contribuírem com o aquecimento global.  Para ele, tanto a energia solar, quanto a eólica, que são bastante defendidas pelos ambientalistas, são mais caras e não têm como ser adotadas em larga escala hoje. "Agora pararam um pouco de falar do efeito estufa, por conta da crise econômica, mas logo esta polêmica será retomada e o assunto debatido de novo de maneira errada", disse em palestra, que lotou o auditório do XII Congresso Brasileiro de Energia. Conhecido por ser um dos fundadores do Greenpeace, Moore foi afastado da Organização após rever sua posição e passar a defender temas combatidos pelos ativistas, como a energia nuclear ou mesmo os alimentos transgênicos. "Muito do que dissemos no início do ativismo foi errado. A principal besteira foi ter colocado no mesmo balaio a energia nuclear e a bomba atômica. Seria o mesmo que impedir o desenvolvimento da medicina nuclear que tantas vidas já salvou", argumentou o consultor. Em sua apresentação, o ex-ativista (hoje considerado um traidor pelo movimento) fez duras críticas aos atuais ambientalistas que, segundo ele, seriam "a maior barreira para a implantação de energia limpa". "Isso pode ser considerado irônico, mas é a realidade: ao impedir a construção de usinas nucleares ou de hidrelétricas, os movimentos ambientalistas incentivam a construção de usinas térmicas movidas a carvão ou a gás natural, que são responsáveis pelas emissões dos gases do efeito estufa", disse. Polêmico, o próprio Moore utiliza o documento assinado por cerca de 19 mil cientistas americanos contra o protocolo de Kyoto para indagar diante da platéia se o aquecimento global realmente é provocado por esta emissão de gases. Utilizando mapas das eras geológicas ela situa a temperatura média mundial com o passar dos bilhares de anos e comenta que entre os ciclos de temperatura mais aquecida, a média na Terra atingia a 22 graus Celsius, enquanto que nas eras mais geladas, como a glacial, chegava a 12 graus.  Hoje, segundo ele, a temperatura média no mundo está em torno dos 14 graus e teve uma ligeira queda no último inverno no Hemisfério Norte. "Se houvesse realmente este aquecimento será que não estaríamos com uma temperatura mais alta ou mesmo sem registrar uma redução como a ocorrida?", indagou. Se sobram críticas aos antigos companheiros ambientalistas, não faltam elogios às alternativas brasileiras para utilização de fontes energéticas não fósseis. Ele lembra que o país, além de ter mais de 80% de sua energia proveniente da hidrelétrica, desenvolveu o que chama de "excelente programa" de queima do álcool para veículos.  O consultor cita ainda a possibilidade de queima do bagaço da cana como uma outra oportunidade a ser considerada mundialmente, assim como a utilização da celulose para gerar energia. "Defendo cada vez mais um reflorestamento para que possamos usar esta madeira não só em móveis, quanto para produzir energia e ainda a utilização de todos os tipos e dejetos, rejeitos para a mesma finalidade, seja lixo, bagaço ou até o próprio resíduo nuclear", defendeu, lembrando que especialmente no caso do resíduo nuclear há o mito de acreditar que ele levaria milhões de anos para ter extinta sua radiação. "Leva apenas 40 anos na maior parte desse dejeto e ele pode ser reaproveitado brilhantemente".

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