Contaminação é herança do passado, diz Goldemberg

O secretário estadual do Meio Ambiente, José Goldemberg, disse que são "heranças do passado" os casos de contaminação industrial registrados no Estado de São Paulo, incluídos em relatório divulgado ontem pela organização não-governamental Greenpeace. O documento, apresentado em Bali, na Indonésia, durante a reunião preparatória da Cúpula para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+10), relaciona 37 casos de problemas ambientais ocasionados por grandes indústrias em todo o mundo. Entre eles, seis referem-se a contaminações verificadas no Brasil, a maioria delas no Estado de São Paulo. "O relatório não traz nenhuma novidade", afirmou o secretário. "Há cerca de um mês, publicamos um relatório de todas as áreas contaminadas que foram identificadas no Estado de São Paulo, entre as que foram apontadas pelo Greenpeace." Entre os casos brasileiros incluídos no documento estão o da Shell, pela contaminação do condomínio Recanto dos Pássaros, em Paulínia, interior de São Paulo, e na Vila Carioca, zona Sul da Capital, bem como o depósito da Solvay às margens da Represa Billings, em Santo André, com um milhão de toneladas de cal contaminada por dioxinas e furanos. "Eu não vejo nada de anormal no fato de que haja uma lista interncional incluindo os casos do Brasil", analisou Goldemberg. "O próprio relatório do Greenpeace diz claramente que isso é resultado de uma política de industrialização e de uma ausência de legislação que não olhava com cuidado os impactos ambientais." O secretário referiu-se a esses casos como "os esqueletos da industrialização do século 20". As medidas para mitigar os efeitos e evitar novos impactos já foram tomadas, segundo ele. "Daqui para a frente, a possibilidade de ocorrências idênticas é praticamente nula porque o nosso licenciamento agora é muito mais rigoroso do que era no passado."

Agencia Estado,

05 de junho de 2002 | 12h46

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