Contaminação pelo ar ameaça exército de terracota

O exército de terracota do primeiro imperador da China enterrado em Xian, uma das maiores descobertas arqueológicas do mundo, está ameaçado pela contaminação, que pode destruir as peças de 2.200 anos de idade.Centenas de figuras de terracota, que foram desenterradas progressivamente durante as últimas três décadas, começaram a perder suas cores com a oxidação causada por sua exposição ao ar livre, informou o jornal South China Morning Post."Se não se fizer nada imediatamente, em 100 anos os guerreiros estarão tão danificados que as fossas (onde eles foram escavados) parecerão minas de carvão e perderão seu valor estético", declarou Cao Junji, diretor de pesquisas do Instituto do Meio Ambiente da Academia Chinesa de Ciências Sociais.As partículas ácidas suspensas no ar deterioraram a superfície das estátuas, cobrindo as mesmas com uma fina camada de poeira. Essas partículas também debilitam o gesso que dá segurança às obras."Se uma perna ou um ombro se desprender, toda a figura estará danificada", segundo o especialista citado pelo jornal de Hong Kong.As características que diferenciam os personagens, como o nariz, o cabelo ou o bigode, também poderiam desaparecer."O museu (onde estão expostas as descobertas arqueológicas) dispõe de técnicos e de diferentes instrumentos para observar o meio ambiente, mas carece de especialistas", afirmou Cao, que lançou uma iniciativa para conservar estas estátuas em cooperação com laboratórios de Hong Kong e dos Estados Unidos."A contaminação atmosférica é uma doença que afeta o patrimônio cultural. Não podemos eliminá-la, mas podemos diminuir sua gravidade", explicou o especialista chinês.Os arqueólogos acreditam que três fossas abrigam quase 8 mil soldados e cavalos de terracota. Quase duas mil peças foram desenterradas até o momento e 1.172 delas são exibidas ao público.

Agencia Estado,

27 de junho de 2005 | 11h38

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