Convenção no Chile discute o futuro de 30 mil espécies

Com uma exortação a que sejam incluídos os peixes e a madeira entre as espécies em perigo, foiinaugurada neste domingo, em Santiago do Chile, a 12ª conferência entre os 160 países da Convenção sobre o Comércio de Espécies Ameaçadas da Fauna e da Flora Silvestres (Cites).A reunião de 2 mil delegados e várias organizações não-governamentais doplaneta, durante 15 dias, tem em sua agenda 59 propostas, que englobam desde espécies emblemáticas, como as baleias e oselefantes, até outras de valor comercial, como papagaios, tartarugas e orquídeas."Se a comunidade internacional quer as plantas e os animais dos países em desenvolvimento, então, que compartilhe os custos", disse o holandês Willem Wijnstekers, secretário-geral da Cites,para quem as reuniões do organismo "oferecem uma oportunidade de conseguir que o comércio não seja prejudicial às espécies".Os limites que devem nortear esse comércio são a maior preocupação da Cites, que catalogou desde sua fundação, em 1975, cerca de 30 mil espécies ameaçadas, classificadas em três níveis- os apêndices.Do Apêndice 1 estão excluídos de qualquer tipo de comércio animais como os grandes símios, alguns felinos, como os tigres,as tartarugas marinhas e alguns crocodilos, serpentes, cactos eorquídeas. O Apêndice 2 agrupa espécies que podem ser comercializadas sob restrições impostas pela Cites: são alguns tipos de primatas e felinos, um grupo de aves de rapina e todos os tipos de crocodilos, serpentes, tartarugas e orquídeas quenão estão enquadradas no Apêndice 1.Por fim, no Apêndice 3,estão 278 espécies que geram relatórios de monitoramento porparte de cada país-membro. É onde está o mogno brasileiro.Justamente por causa do mogno, um grupo de ativistas do movimento ecológico Greenpeace começou neste domingo uma manifestaçãoem frente ao Ministério do Meio Ambiente, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, para pressionar o governo brasileiro a"assumir uma firme posição em defesa do mogno".Acampados na calçada, sob a sombra de um exemplar de mogno de 15 metros dealtura plantado há cerca de 20 anos, os ativistas pretendem permanecer no local até o dia 15, quando termina a Cites. "Aposição do governo brasileiro ainda é dúbia em relação àproteção mais efetiva do mogno", disse o assessor do Greenpeace Reinaldo Canto.O objetivo do grupo é fazer com que a madeira, a mais valiosadas Américas e conhecida como "ouro verde", seja relacionadacomo espécie em vias de extinção, "a menos que o comércioesteja sob regulamentação rigorosa". Ou seja, a intenção doGreenpeace é enquadrar o mogno no Apêndice 2.Segundo o coordenador internacional da Campanha da Amazônia doGreenpeace, Paulo Adário, o Apêndice 3 é insuficiente paraassegurar um mercado transparente para a madeira, pois nãoimplica compromissos de outros países produtores e consumidores,o que dificulta o controle de parte do mercado.Dono da maiorreserva de mogno do planeta, o Brasil, de acordo com Canto,deveria assumir a liderança do movimento para garantir aproteção da espécie.Cerca de 14 manifestantes irão se revezar no acampamento naEsplanada, composto por uma barraca para dormir, mesa, pôsterese um computador alimentado por energia solar. Ao longo dospróximos dias, os ativistas vão fazer um abaixo-assinado epromover manifestações.

Agencia Estado,

03 de novembro de 2002 | 21h24

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