Convênio com os EUA beneficiará florestas nacionais

Um convênio de cooperação bilateral entre o Ibama e o Serviço Florestal do Governo dos Estados Unidos começará a ser implementado neste mês na área de gestão de Florestas Nacionais (Flonas). O principal enfoque do programa será a capacitação técnica para o uso público das Flonas, unidades de conservação cuja característica é permitir o uso múltiplo dos recursos naturais.As primeiras unidades beneficiadas serão as Florestas Nacionais de Canela, no Rio Grande do Sul, e de Ipanema, em Iperó (São Paulo). Também devem ser incluídas nos projetos demonstrativos voltados para o turismo, as Flonas de Passa Quatro, no circuito das águas de Minas Gerais, e Rio Preto, em Conceição da Barra, no norte do Espírito Santo. ?O uso turístico das Flonas difere pouco de um parque nacional, com programas voltados ao lazer, educação ambiental, trilhas etc. Mas pode incluir, entre seus atrativos, visitas a projetos de manejo sustentável ou recuperação de áreas degradadas, como as áreas de mineração da Flona Ipanema?, explica Ana Luísa Fagundes Salomão.Especialistas norte-americanos deverão estar dando consultoria nas áreas de planejamento, monitoramento e marketing. ?Esta última parte, que inclui a divulgação dos produtos da floresta, é também objeto de interesse dos norte-americanos, que querem desenvolver esta área em suas próprias Flonas?, diz Ana Luísa.Regulamentadas há menos de uma década no Brasil, as florestas nacionais existem há mais de 100 anos nos EUA, que possui 154 Flonas, num total de 77 milhões de hectares. Das 70 Flonas brasileiras - que somam 16,5 milhões de hectares -, mais de 90% encontram-se na Amazônia. Sua principal finalidade, como as norte-americanas, é manter um estoque madeireiro estratégico nas mãos do governo. Possuem também a vantagem de poder abrigar, ao contrário dos parques, populações tradicionais e atividades extrativistas. Nas regiões Sul e Sudeste, foram criadas sobretudo para fazer a reposição florestal de áreas desmatadas na primeira metade do século passado, sobretudo com araucária e pinus.O projeto bilateral, que terá a duração de 24 meses, prevê ainda a definição de um sistema de informações georreferenciadas, que possa interligar as flonas brasileiras e ajudar na elaboração de seus planos de manejo, sobretudo nas Flonas amazônicas. Atualmente, apenas cerca de 20 florestas nacionais possuem planos de manejo prontos ou em elaboração.

Agencia Estado,

01 de julho de 2002 | 16h49

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