Jörg Wiedenmann
Jörg Wiedenmann

Corais fluorescentes multicoloridos são descobertos em águas profundas

Gama de cores encontradas em recifes a mais de 50 metros no Mar Vermelho surpreende cientistas britânicos e israelenses; eles acreditam que pigmentos podem ser usados em microscopia

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

24 Junho 2015 | 17h19

Em recifes profundos do Mar Vermelho, cientistas britânicos e isralensees descobriram corais brilhantes com uma surpreendente gama de cores. Os pesquisadores, que publicaram a descoberta nesta quarta-feira, 24, na revista científica PLoS One, acreditam que os pigmentos presentes nesses corais poderão ser utilizados no desenvolvimento de novos equipamentos de imageamento para aplicação médica, como marcadores de microscopia.

Os corais foram encontrados a mais de 50 metros de profundidade e vários deles brilham com cores fluorescentes, especialmente em tons verdes, amarelos e vermelhos. Os autores do estudo afirmam que é algo inesperado encontrar tamanha variedade de cores em águas profundas, já que as partes dos mesmos recifes que estão em águas mais rasas contêm apenas pigmentos fluorescentes verdes. A pesquisa foi liderada por cientistas da Universidade de Southampton (Reino Unido), da Universidade de Tel Aviv e do Instituto Interuniversitário de Ciências Marinhas (IUI) - os dois últimos de Israel -, com participação de uma equipe internacional.

De acordo com Jörg Wiedenmann, professor de Oceanografia Biológica da universidade britânica, os pigmentos fluorescentes são proteínas. Quando essas proteínas são iluminadas com luz azul ou ultravioleta, elas devolvem luz com comprimentos de onda maiores, como os vermelhos e os verdes.

"Suas propriedades ópticas as tornam potencialmente importantes como ferramentas para aplicação em imageamento biomédico. Seu brilho fluorescente pode ser utilizado para iluminar e destacar células ou estruturas celulares de interesse sob o microscópio. Essas proteínas também podem ser aplicadas para rastrear células de câncer ou como ferramentas para investigar novas drogas", disse Wiedenmann.

Corais nessa profundidade são pouco estudados, porque ficam além dos limites das técnicas de mergulho padrão, de acordo com outro dos autores do estudo, Gal Eyal, do IUI. "Alguns avanços nas técnicas de mergulho nos permitiram explorar comunidades de corais nessas águas mais profundas. Como só as frações azuis da luz solar penetram a profundidades maiores que 50 metros, nós não esperávamos ver nenhum tipo de coloração vermelha naqueles recifes. Para nossa surpresa, encontramos grande número de corais mostrando um intenso brilho verde ou laranja. Isso só podia ser explicado pela presença de pigmentos fluorescentes", explicou Eyal.

Tais pigmentos são frequentemente encontrados em corais de águas rasas, onde podem funcionar como paineis solares para os corais e para as algas que vivem em simbiose com eles. No entanto, não se esperava encontrar esses pigmentos em profundidades nas quais os corais estão lutando para coletar luz o suficiente para sustentar a fotossíntese das algas, que são para eles uma fonte de energia vital.

Cecilia D'Angelo, da Universidade de Southampton, que estudou em um aquário experimental os corais normalmente encontrados em profundidades de 50 metros, explica que em vários corais de águas rasas a produção dos pigmentos é rigorosamente controlada pela intensidade e cores da luz que os atinge. Na maior parte das espécies de águas profundas, segundo ela, a produção de pigmentos é essencialmente independente da exposição dos corais à luz.

"Nós descobrimos, no entanto, que alguns dos pigmentos desses corais precisam de luz violeta para transformar sua cor verde inicial no matiz vermelho do pigmento maduro. Essa é uma propriedade especialmente interessante para o desenvolvimento de marcadores biológicos para aplicações em microscopia avançada", disse D'Angelo.

Os autores afirmam que a equipe agora está explorando outras funções biológicas desses pigmentos fluorescentes.

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