Cosmonautas fazem saída arriscada ao espaço para consertar Soyuz

Dois cosmonautas da EstaçãoEspacial Internacional (ISS) saíram ao espaço, nestaquinta-feira, para retirar um parafuso explosivo da cápsulaSoyuz, na esperança de consertar um problema que provocouaterrissagens desagradáveis para os ocupantes anteriores doveículo de transporte russo. A missão de seis horas de Sergei Volkov, comandante da ISS,e de Oleg Kononenko, engenheiro-chefe de vôo, começou às 15h48(horário de Brasília). "Nós analisamos muito cuidadosamente os riscos envolvidosna retirada do parafuso explosivo", afirmou Bob Dempsey,diretor de vôo da Nasa (agência espacial dos EUA). "Estamosbastante confiantes de que se trata de uma operação segura." Essa será a primeira saída ao espaço dos cosmonautas, queestão a bordo da estação desde abril. Seu companheiro detripulação, o astronauta da Nasa Greg Chamitoff, permanecerádentro da Soyuz durante a missão a fim de evitar ficareventualmente impossibilitado de seguir a rota de fuga da ISScaso necessário. "Nós não gostamos de separar a tripulação do veículo defuga", afirmou Dempsey. "É por isso que Greg ficará lá dentro.Ele contará com os mesmos laptops, livros e computadores paratrabalhar enquanto estiver ali." A Soyuz não saiu do lugar desde que a ex-comandante daestação Peggy Whitson e sua tripulação vivenciaram umaaterrissagem de alta velocidade, fora de curso e de difícilcontrole a bordo uma outra Soyuz, no dia 19 de abril. Esse foio segundo pouso consecutivo problemático da cápsula. O motivo do defeito continua a ser investigado. O principalsuspeito é um parafuso explosivo usado para separar atripulação da Soyuz de um pequeno módulo de equipamento que nãoregressa para a atmosfera terrestre. Há cinco ligações entre os dois compartimentos e todas elascontam com cargas extras de explosivo. A missão de Volkov e Kononenko consiste em desconectar umdos parafusos, colocá-lo dentro de um cilindro resistente aexplosões e levá-lo para dentro da ISS a fim de que sejatransportado com a tripulação no regresso à Terra, em outubro. "Sonhamos com muitas coisas arriscadas que desejamos fazere, depois de várias análises, escolhemos quais faremos e quaisnão faremos", afirmou o diretor do programa da estação, MikeSuffredini. "Isso foi feito com todo o rigor que poderíamos esperarpara um sistema importante como esse." O parafuso possui uma carga de explosivo semelhante ao deuma espécie de fogos de artificio. Durante uma revisão final dos procedimentos para a saída aoespaço, o diretor de vôo russo Vladimir Solovyov disse àtripulação: "Ele não pode disparar. Vocês não devem ficarpreocupados." Os comentários dele foram traduzidos para o inglês etransmitidos pela Nasa Television. Testes mostraram que o cilindro de aço no qual o parafusoserá colocado pode suportar uma detonação inesperada,acrescentou Dempsey. Os parafusos explosivos vêm sendo usados com segurança hádécadas em ônibus espaciais e em outros veículos, bem como emaeronaves militares. Os parafusos, no entanto, costumam sermanipulados por equipes em terra e por especialistas emsegurança, não por astronautas e cosmonautas no espaço.

IRENE KLOTZ, REUTERS

10 de julho de 2008 | 17h19

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