CPI aponta dados falsos em laudo sobre Vila Carioca

O presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Postos de Combustíveis, vereador Jooji Hato (PMDB), acusou a engenheira Ana Beatriz da Silva Barros, da Agência Nacional de Petróleo (ANP), e a empresa BBl Bureau Brasileiro de passarem informações falsas ao Ministério Público Federal (MPE) e à própria CPI em vistorias na base de combustíveis da Shell na Vila Carioca, zona sul. Em documento entregue ao procurador da República Sérgio Suiama, os vereadores pedem a devolução do pagamento feito à BBl, que fez a primeira vistoria contratada pela ANP há dois anos, e providências contra os técnicos que assinaram a segunda fiscalização, em 17 de julho. No depoimento da engenheira, de acordo com Jooji Hato, ela contradisse o que havia afirmado anteriormente em documento. No auto de vistoria, a engenheira afirmara, confirmando a inspeção anterior da BBl, que a Shell não tinha residências vizinhas à base, contava com licença de funcionamento e as bacias de contenção dos combustíveis seguiam as normas. Na transcrição das atas de depoimento, a engenheira admitiu que vários itens da vistoria de 2000 feita pela BBl estão errados e que o relatório deveria ser refeito. ?Ela afirmou exatamente o contrário do que contém seu auto de vistoria e o da empresa contratada que inocentou a Shell?, afirmou Hato. O procurador instaurou um procedimento para apurar o caso e deve ouvir representantes da empresa e os técnicos da ANP. ?Os dados são supostamente falsos e como a ANP é uma agência do governo pode tratar-se de crime federal?, disse Suiama. A agência reconheceu uma incorreção do relatório no item que trata da existência de residências em áreas contíguas à base. Segundo a ANP, porém, a segurança do local não fica comprometida. O diretor da BBl Bureau Brasileiro, Paulo Madureira, afirmou que não poderia falar sobre o assunto por proibição contratual. A Shell não se manifestou. A distribuidora de combustíveis Salenco recebeu advertência da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) por não apresentar estudo hidrogeológico da área. O dono da empresa, Nelson Salem Júnior, prometeu entregar o documento.

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