Dale Omori, courtesy of the Cleveland Museum of Natural History
Dale Omori, courtesy of the Cleveland Museum of Natural History

Crânio de hominídeo que viveu há 3,8 milhões de anos é encontrado na Etiópia

Espécime muito raro pode mudar completamente o que sabemos sobre um dos mais famosos ancestrais da humanidade, Lucy, e sobre a nossa própria espécie

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2019 | 17h55

RIO - Um fóssil encontrado na África lança uma nova luz sobre os nossos ancestrais. Arqueólogos descobriram na Etiópia um crânio de um hominídeo que viveu há 3,8 milhões de anos – um espécime muito raro que pode mudar completamente o que sabemos sobre um dos mais famosos ancestrais da humanidade, Lucy, e sobre a nossa própria espécie.

O crânio pertence à espécie Australopithecus anamensis e ofereceu aos cientistas a primeira chance de dar uma boa olhada na face desse hominídeo. Acreditava-se que a espécie tinha precedido a de Lucy, Australopithecus afarensis, que, por sua vez, seria o nosso ancestral direto.

A nova descoberta sugere, no entanto, que as duas espécies teriam compartilhado as savanas da Etiópia durante pelo menos cem mil anos. Isso indica, segundo os especialistas, que a árvore evolucionária dos primeiros hominídeos é bem mais complicada do que se imaginava e pode nos fazer repensar a tese de que viemos de uma espécie em particular, representada por Lucy.

 “Crânios fossilizados de hominídeos são tesouros excepcionalmente raros”, explicou a paleoantropóloga Carol Ward, da Universidade do Missouri, em entrevista à revista Nature, que publicou o novo estudo. “Esse é o novo espécime pelo qual todos nós estávamos esperando.”

A afarensis viveu na África entre 4 milhões e 3 milhões de anos atrás. Essa espécie é importante para entendermos a evolução humana porque, provavelmente, teria sido a partir desses hominídeos que o gênero humano, o Homo, evoluiu, há 2,8 milhões de anos.

Ao longo das últimas décadas, pesquisadores descobriram dezenas de fragmentos de fósseis de A. anamensis na Etiópia e no Quênia, alguns deles com mais de 4 milhões de anos.  Os cientistas achavam que o A. anamensis gradualmente evoluiu para o A. afarensis, sem nunca terem coexistido.

O crânio descoberto recentemente por um grupo de paleoantropólogos liderados por Yohannes Haile-Selassie, do Museu Cleveland de História Natual, em Ohio, nos Estados Unidos, sugere exatamente o contrário.

A descoberta de Lucy (que recebeu este nome por causa da música dos Beatles “Lucy In The Sky With Diamonds”), em 1974, também na Etiópia, gerou grande comoção mundial. O fóssil, de 3,2 milhões de anos, foi o primeiro descoberto de um hominídeo que era capaz de andar de pé.

Em entrevista à Nature, o professor Fred Spoor, do Museu de História Natural de Londres, no Reino Unido, disse que o novo crânio tem tudo para “se tornar outro ícone célebre da evolução humana”.

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