Crescem acidentes com peixe venenoso

A freqüência de acidentes com peixes-leão (Pterois volitans) vem aumentando nos últimos anos no Brasil. A constatação é do médico dermatologista e especialista em animais aquáticos, Vidal Haddad Júnior, da Universidade Estadual Paulista (Unesp-Botucatu) e do Hospital Vital Brasil, em São Paulo.Os acidentes geralmente envolvem aquaristas, sem muita informação sobre a espécie, uma das estrelas de aquários marinhos pela beleza e devido ao costume de inflar as nadadeiras, como um pavão faz com a cauda.O peixe-leão é nativo do Oceano Pacífico, com distribuição entre a Austrália e o Japão, incluindo a Micronésia e a Malásia. Chega a 38 cm e possui veneno nas pontas de suas nadadeiras dorsais e laterais. O veneno provoca dor intensa, inchaço, eventualmente bolhas e eritema (mancha vermelha).Alerta aos mergulhadoresA espécie foi notificada em vários pontos da costa atlântica dos Estados Unidos, tendo motivado um alerta a mergulhadores, feito pelo Center for Coastal Fisheries and Habitat Research, da Carolina do Norte.Segundo declarou à Agência Estado o pesquisador Jon Hare, daquele centro, "por enquanto a espécie ainda é rara em comparação às espécies nativas da costa atlântica mas, no futuro, se a população crescer, pode haver um impacto".No mar da Geórgia e de Nova York já foram encontrados peixes-leão jovens, sinal de que podem estar se reproduzindo com sucesso. Além disso, diz Hare, "a fauna de peixes marinhos da Carolina do Norte têm se tornado cada vez mais tropical, com um certo número de espécies predadoras - como garoupas e meros - super exploradas.É difícil prever o que vai acontecer a partir desta combinação de mudanças naturais, com super exploração e introdução de novas espécies".Saídos do aquárioA introdução do peixe-leão na costa atlântica dos Estados Unidos é atribuída à soltura de peixes de aquário, por acidente, durante furacões, ou por falta de informação do aquarista, quando se cansa de seus mascotes."A água de lastro de navios também é uma possibilidade", acrescenta Hare. Os grandes navios costumam captar água para lastro em um porto e liberar em outro, tendo sido responsáveis pela introdução de diversas espécies em novos ambientes, com resultados desastrosos para o equilíbrio dos ecossistemas.O médico Vidal Haddad Jr. não descarta a possibilidade da introdução do peixe-leão também estar acontecendo nas costas brasileiras, embora os acidentes, por enquanto, envolvam apenas aquaristas. Com condições de temperatura e ambiente semelhantes às de sua região de origem, a espécie teria grandes chances de se instalar nos ecossistemas costeiros do Brasil.

Agencia Estado,

05 de fevereiro de 2002 | 16h07

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.