Crise europeia ameaça reator de fusão nuclear de US$ 21 bilhões

O braço executivo da União Europeia tenta coordenar uma contribuição extra de 1,4 bilhão de euros

REUTERS

09 Junho 2010 | 13h33

Esquema do tokamak, ou câmara de contenção do combustível, que será usado no ITER. Reprodução 

 

Uma batalha financeira está em andamento na Europa em torno de um experimento científico de 16 bilhões de euros, ou US$ 21 bilhões, destinado a resolver o enigma da fusão nuclear comercialmente viável. A fusão é o mesmo processo que ocorre no Sol e na explosão de uma bomba H, e se for viabilizada em escala comercial representará uma alternativa mais barata, limpa e segura aos reatores atuais de fissão.

 

O braço executivo da União Europeia tenta coordenar uma contribuição extra de 1,4 bilhão de euros para o período 2012-2013, que viria de países europeus, já abalados pela crise econômica.

 

Muitos ambientalistas dizem que os custos do Reator Termonuclear Experimental Internacional (ITER) está fora de controle e que o dinheiro seria melhor investido em projetos para redução de emissões de carbono.

Os defensores do ITER dizem que ele tem o potencial de mudar o curso da história, e merece apoio irrestrito.

No centro da disputa, o sonho de dominar a fusão nuclear. Cientistas já demonstraram que o processo pode ser recriado em laboratório, mas até agora não houve demonstração em larga escala, nem a produção de mais energia do que a consumida no processo.

 

Em 2006, mais de 30 países assinaram um acordo para construir o ITER no sul da França. Se tudo der certo, a partir de 2020 o projeto será capaz de gerar cerca de 500 MW de energia por meio da fusão, um processo que não emite CO2  e gera menos lixo radioativo que os reatores comuns.

 

Mas a grande complexidade do projeto e os preços cada vez mais altos do aço, concreto e cobre levaram a uma triplicação  dos custos de construção desde que a estimativa inicial foi feita, em 2001. Os 27 países da UE estão comprometidos com 45% do preço.

 

"É irresponsável investir grandes somas em um beco sem saída tecnológico e sem criar empregos, num período de crise financeira", disse o político Verde Claude Turmes.

 

"Não devemos perder de vista os benefícios, potencialmente capazes de mudar o curso da história, do ITER", disse a comissária de pesquisa científica da UE, Maire Geoghegan-Quinn. A construção do ITER também poderá trazer benefícios tecnológicos paralelos, como supercondutores.

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