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Cristas e 'velas' de pterossauro serviam para atrair parceiros sexuais

Até então, cientistas acreditavam que acessórios ajudavam a regular a temperatura e orientar voo

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29 Junho 2010 | 18h58

LONDRES - O objetivo das cristas exageradas e "velas" encontradas em muitos animais fósseis tem sido controverso. Alguns cientistas afirmam que as "velas" nas costas ajudavam a regular a temperatura corporal e que as cristas na cabeça auxiliavam a orientar os répteis alados durante o voo.

 

Agora, um novo estudo diz que esses atributos se tornaram tão grandes por causa da competição sexual. Os resultados, descobertos por uma equipe internacional de pesquisadores, foi publicado na revista American Naturalist.

 

Uma das classes de animais pré-históricos analisados pelos pesquisadores foi a dos pterossauros - répteis voadores extintos na época dos dinossauros.

 

O estudo sugere que o tamanho da crista da cabeça em relação ao corpo do pterossauro era grande demais para ter sido dedicado ao controle da temperatura corporal ou da direção de voo.

 

Os pesquisadores também investigaram criaturas semelhantes a mamíferos, chamados eupelicossauros, que viveram antes dos dinossauros. Esse grupo, que incluía os animais dimetrodon e edaphossauro, carregava grandes e elaboradas "velas" ao longo das costas.

 

Por meio de relações conhecidas entre o tamanho corporal e a atividade metabólica nos organismos vivos - o processo por trás da geração de calor -, os cientistas concluíram que as "velas" eram muito exageradas para terem desempenhado um papel no controle da temperatura corporal.

 

"Uma das poucas coisas que não mudaram ao longo dos últimos 300 milhões anos foram as leis da física", disse o coautor do estudo, dr. Stuart Humphries, da Universidade de Hull. "Por isso, tem sido bom usar essas leis para compreender o que realmente poderia estar dirigindo a evolução dessas grandes cristas e velas."

 

Para o colega de Humphries, dr. Joseph Tompkins, da Universidade da Austrália Ocidental, as velas do eupelicossauro estão entre os primeiros exemplos conhecidos de características sexuais secundárias exageradas na história da evolução dos vertebrados.

 

"De fato, a vela do dimetrodon é uma das maiores características sexuais secundárias de qualquer animal", disse Tompkins. O coautor Dave Martill, da Universidade de Portsmouth, acrescenta: "Pterossauros fizeram um esforço ainda maior para atrair um companheiro que os pavões, cujas grandes penas são consideradas a estrutura mais elaborada de seleção sexual nos dias de hoje".

 

"Pavões se desfazem de sua fantástica plumagem a cada ano, então é um fardo temporário, mas os pterossauros tinham que carregar sua crista o tempo todo", afirma Martill.

 

Tompkins acrescenta: "Nossa análise sugere que o pteranodonte masculino competiam uns com os outros em batalhas por domínio usando suas cristas - de forma semelhante aos animais com chifres ou galhos. "As mulheres possivelmente avaliavam os machos pelo tamanho de suas cristas, de forma semelhante ao que as fêmeas do pavão fazem hoje", explica.

 

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