Crítica da Bélgica a declaração do papa surpreende Vaticano

Resolução do Parlamento pede que governo condene fala de Bento XVI sobre Aids e preservativos

Ansa

03 de abril de 2009 | 14h42

O porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi, afirmou que "desperta espanto" a decisão do Parlamento belga de pedir que o governo faça um protesto oficial contra as declarações do papa Bento XVI sobre o uso e a distribuição de preservativos.

 

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Em uma entrevista à Rádio Vaticana, o porta-voz defendeu que, "em qualquer país democrático, é óbvia a liberdade do Santo Padre e da Igreja Católica de expressar as próprias posições e linhas de ações sobre questões relevantes à visão das pessoas e à responsabilidade moral, com o objetivo educativo e formativo das pessoas, e com o serviço de cura de doenças e dos sofredores".

 

Lombardi ainda ressaltou que "a grande tradição e experiência da Igreja no campo de formação e de saúde, em particular nos países mais pobres, é tão evidente que não há necessidade de demonstração ou comentários".

 

"É questionável também se as posições do Santo Padre foram consideradas com suficiente atenção e seriedade ou um tanto atravessadas pelo eco, não objetivo e nem equilibrado, das mídias ocidentais", criticou o porta-voz.

 

Na última quinta-feira, 2, a Câmara dos Deputados belga aprovou uma resolução para um protesto oficial contra o Vaticano, segundo informou o site da emissora local RTBF.

 

A resolução, que obteve 95 votos a favor, 18 contra e 7 abstenções, pede que o governo da Bélgica "condene as afirmações inaceitáveis do papa, feitas durante sua viagem à África, e proteste oficialmente junto a Santa Sé".

 

Em 17 de março, primeiro dia de sua viagem pelo continente africano, Bento XVI disse que a Aids "é uma tragédia que não pode ser superada com o dinheiro e nem com a distribuição de preservativos, que desse modo aumenta os problemas".

 

A resolução foi votada pela maioria dos partidos belgas, exceto o partido de extrema-direita Vlaams Belang e o nacionalista Nova Aliança Flamenga.

 

O texto, proposto pela Comissão de Relações Exteriores da Câmera, foi alterado a pedido do Partido Democrata-Cristão Flamengo, do premier Herman Van Rompuy.

 

O trecho "afirmações perigosas e irresponsáveis" foi substituído por "afirmações inaceitáveis".

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