D. Eusébio Oscar Sheid se despede da capital fluminense

O cardeal encerra no Rio sua missão mais difícil, enfrentando descontentamentos para reestruturação da Cúria

Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

27 Fevereiro 2009 | 19h27

O cardeal d. Eusébio Oscar Sheid, de 76 anos, agora arcebispo emérito do Rio de Janeiro, encerra na capital fluminense, onde permaneceu por oito anos e quatro meses, sua missão mais difícil. Depois de ser arcebispo por 10 anos em São José dos Campos e por mais 10 em Florianópolis teve de enfrentar descontentamentos ao promover uma reestruturação da Cúria, com demissões de colaboradores do seu antecessor d. Eugenio Sales.   Veja também: Papa nomeia Orani João Tempesta como novo arcebispo do Rio  Entrevsita: Para D. Orani, primeiro desafio será conhecer o povo do Rio   "Vocês nunca me ouviram dizer uma palavrinha do meu antecessor. Agora, eu tenho o meu estilo euzebiano. Ele é nordestino. Pode ter havido um desacordo. Mas nós nunca...Uma revista chegou a publicar que nós éramos como gato e cachorro. Temos educação mais elevada do que isso. Não houve nada. Pura calúnia. Pode perguntar para d. Eugenio, que fala muito pouco, graças a Deus"", disse d. Eusébio. "Mas para não ter nenhum problema, vou até sair do Rio de Janeiro".   D. Eusébio disse que precisou contratar a consultoria da Fundação Getúlio Vargas para entregar uma administração "transparente, clara, lúcida e segura". "O sistema anterior era caduco", disse. Houve demissões - 67 segundo ex-funcionários, o arcebispo emérito não confirma os números. "Isso causou estranheza de uns e de outros. Mas eram cargos absolutamente ociosos. Não me arrependo de nenhuma atitude tomada". A auditoria financeira ainda não foi concluída.   Sobre d. Orani Tempesta, que irá sucedê-lo, foi só elogios. Referiu-se a ele como detentor de "profunda religiosidade", "bom administrador", "acostumado a pastoral de massas". E brincou: "Ele foi mão direita do bispo de São João da Boa Vista, foi bispo de Rio Preto. De rio em rio, chegou ao Rio de Janeiro".   Disse que o grande problema que d. Orani irá enfrentar na cidade é a "superficialidade da vivência da fé". Também lembrou dos altos custos para a formação dos padres. E perguntou aos repórteres o que aconselhariam para que a Igreja consiga aumentar o número de padres. "Acabar com o celibato? Mas o maior problema do mundo é a família!", disse, provocando risos.   D. Eusébio vai voltar a morar em São José dos Campos, onde construiu uma casa quando era arcebispo da cidade. "Uma residência bem modesta", fez questão de ressaltar. Ex-violinista, sonha em criar uma orquestra.

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