Dados reforçam possibilidade de vida em Marte

A possibilidade de que ainda haja vida em Marte não está descartada, segundo o físico brasileiro Paulo de Souza Júnior, que participa da missão dos jipes Spirit e Opportunity naquele planeta. ?Não só não está descartada, mas foi reforçada?, disse. O balanço dos primeiros três meses de missão do Opportunity foram publicados pela revista Science.Meridiani PlanumO Opportunity desceu em fins de janeiro nos arredores da cratera Eagle, numa região chamada de Meridiani Planum, no extremo oposto do ponto planetário onde tinha chegado quase três semanas antes o Spirit.Segundo Steven Squyres, um dos chefes da pesquisa geológica em Marte, as rochas sedimentares na cratera revelam condições ambientais em que a água teve um papel fundamental, antes de evaporar. O artigo de Squyres, um dos 11 publicados, afirma também que as rochas e as capas sedimentares em Meridiani Planum revelam a existência de água.Para Jeffrey Kargel, do Instituto Geológico dos EUA em Flagstaff, no Arizona, até agora não foi descoberto nenhum indício de vida no planeta. Mas ele adverte, em seu artigo: "Até prova em contrário, devemos supor que a vida existe em Marte para proteger a Terra e qualquer espécie presente em Marte" de todo tipo de contaminação.Areia basálticaSegundo Laurence Soderblom, do Instituto Geológico dos EUA, o solo de Meridiani Planum é de areia basáltica de grão fino que se misturou com pó e areia ricos em enxofre. Há abundância de hematita, um mineral de ferro que, na Terra, se forma sempre na presença de água.O espectrômetro de raios X e partículas Alfa do Opportunity também colheu provas da existência de água através da análise de jarosita, um mineral de hidróxido de ferro sulfúrico, que na Terra aparece em zonas hidrotermais e de grandes condições ácidas.As rochas analisadas também indicaram a presença permanente de ferro e brometo em condições químicas dos solos e rochas que "indicam uma interação de água no passado".FuncionandoNos primeiros dias da missão, os cientistas calculavam que os robôs teriam vida útil de três meses. Seus painéis solares seriam cobertos pelo pó marciano e os veículos não teriam a energia necessária para funcionar.Mas ambos continuaram suas tarefas quase oito meses além do prazo, porque o vento de Marte eliminou parcialmente o pó dos painéis.

Agencia Estado,

02 de dezembro de 2004 | 19h03

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