Marco Ugarte/AP
Marco Ugarte/AP

Dalai-lama estará em SP nesta quinta

Sacerdote tibetano realiza 4ª visita ao País; relembre entrevista feita pelo 'Estado'

Estadão.com.br

12 Setembro 2011 | 16h03

O líder espiritual tibetano dalai-lama chega a São Paulo na próxima quinta-feira, 15, para participar de encontros com empresários e religiosos, além de um simpósio voltado para a comunidade científica.

É a quarta vez que Tenzin Gyatso, o 14.º dalai-lama, vem ao País. A visita, porém, vai durar apenas três dias, até 17 de setembro. Nesta data, o líder espiritual fará palestra pública e gratuita no Anhembi. Mais informações podem ser encontradas no site oficial: www.dalailama.org.br/2011

Relembre aqui uma das entrevistas que o sacerdote espiritual do Tibete concedeu ao O Estado de S.Paulo, em agosto de 2009.

DALAI-LAMA PEDE AJUDA DE LULA

Em entrevista ao 'Estado', líder tibetano diz que o Brasil precisa falar com vigor sobre democracia com Pequim

O líder espiritual tibetano dalai-lama pede para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fale de "democracia e liberdade" com a cúpula chinesa. "O Brasil ganhou sua democracia, o que foi muito importante para o País. Agora, com o peso que o Brasil tem no mundo, precisa defender esse valor", disse o dalai-lama em entrevista ao Estado.

"O presidente Lula precisa tocar no assunto com vigor quando tratar com a China", afirmou o líder tibetano no exílio. O dalai-lama, que ontem esteve em Genebra, fez duras críticas contra o governo de Pequim. "Para ser uma superpotência, a China não poderá contar apenas com os lucros. Só o dinheiro

não garantirá uma boa imagem da China no mundo. Verdade e transparência serão essenciais. Isso será fundamental para a imagem da China no futuro", disse.

"A realidade é que muitos países, até mesmo os EUA, têm uma relação muito próxima com a China. Mas, ao mesmo tempo, têm desconfianças em relação ao regime", declarou. "Todos os países que se apoiam na democracia para legitimar seus governos precisam defender os mesmos princípios em relação ao governo chinês."

Ainda ontem (06 de agosto de 2009), em uma entrevista coletiva, o dalai-lama acusou Pequim de estar "enganando o povo chinês". "Não há outra alternativa para a China a não ser a democracia. A política para as minorias fracassou, grande parte da corrupção hoje é cometida por membros do Partido Comunista, que não é mais de trabalhadores. É dos milionários influentes", afirmou.

"Tanto o marxismo quanto o dinheiro fracassaram em trazer a paz na China. Eu mesmo, em 1954, me entusiasmei com o comunismo. E cheguei a pedir para entrar no Partido Comunista. Era jovem e meio revolucionário. Mas hoje a China é um país capitalista e totalitário", disse o dalai-lama. "Chegou a hora de o Partido Comunista aposentar-se, depois de 60 anos."

TIBETE

Ele insiste que o Tibete não quer sua independência da China. "Queremos autonomia. A política externa e a defesa têm de ficar com Pequim. Mas queremos administrar a educação, a saúde e as questões religiosas." Segundo o dalai-lama, 4 mil pessoas ainda estão detidas por Pequim desde o ano passado, quando ocorreram violentos protestos no Tibete.

"Esses protestos não nasceram da noite para o dia. Foi o ressentimento de gerações que explodiu.Há uma crise e precisamos admitir isso", afirmou. "Se a situação não for resolvida, esse ressentimento aumentará. Precisamos encontrar uma solução realista e pacífica." Para ele, uma das saídas é a garantia de um maior desenvolvimento para a região.

Outra estratégia é obter apoio dos intelectuais chineses. "A população está mais próxima de nós. Sabemos que até funcionários públicos levam minha foto em seus celulares", disse. Por Jamil Chade, correspondente em GENEBRA

Veja também:

som ÁUDIO: Dalai Lama vem pela 4ª vez ao Brasil

link A embaixadora de Sua Santidade

link Relembre entrevista do dalai-lama

Mais conteúdo sobre:
Dalai Lama visita entrevista Brasil Vida

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.