De célula em célula, faz-se um ser humano

Imagine só: Se você pegar qualquer célula do seu corpo e colocá-la num pratinho de laboratório com os ingredientes certos, ela vai se dividir, se multiplicar e formar uma colônia. Pode ser um pedacinho de pele, um pedacinho de fígado, um único neurônio ou uma fibra muscular que seja... não importa. Se você cultivar, elas se multiplicarão. Por que isso é interessante? Se você pensar bem, nosso corpo está organizado mais ou menos como se fosse um recife de corais. Cada uma das trilhões de células que formam o nosso organismo é um organismo vivo por si só. Sozinhas, isoladas, elas não servem para muita coisa. Mas coloque-as todas juntas na quantidade certa e voilá!, tens um ser humano -- ou um gato, um cachorro, um passarinho ou seja lá o que for. O nosso corpo não é como um robô, feito de peças sólidas que se encaixam umas nas outras mecanicamente. Ele é uma comunidade altamente heterogênea e altamente organizada de trilhões de minúsculos seres vivos chamados células, que trabalham em conjunto para formar um organismo funcional, capaz de andar, falar e sair por aí em busca de comida. Cada grupo e cada membro da comunidade tem a sua função: as células cardíacas bombeiam sangue, as células do pulmão fazem a troca de gases com o ambiente externo, as células do intestino processam a comida e extraem os nutrientes dela, as células dos ossos e dos músculos permitem nos dão força, sustentação e mobilidade, as células dos olhos permitem que a gente enxergue e assim por diante ... tudo comandado lá de cima pelas células do cérebro, que se comunicam com o resto da comunidade via neurônios. A célula é a unidade básica da vida. Tanto que os menores seres vivos da Terra são os seres unicelulares - ou seja, feitos de uma célula só -, a exemplo das bactérias. Mas não é preciso ser um micróbio, não. Uma célula da sua pele também é viva. Ela pode se mexer, interagir com o ambiente, processar nutrientes e, o mais importante de tudo (no que se refere à vida), ela pode fazer cópias de si mesma. Se você cuidar dela direitinho, ela pode viver e se multiplicar alegremente dentro de um pratinho de laboratório sem problemas. Os cientistas veem isso acontecer todos os dias sob as lentes de seus microscópios. De fato, se você cultiva uma colônia de células cardíacas, elas logo começam a "pulsar" espontaneamente, como se estivessem num coração de verdade. Células pancreáticas em cultura secretam insulina. Células nervosas em cultura secretam neurotransmissores e se ligam em sinapses. Células do sistema imunológico se arrastam pelo prato em busca de potenciais invasores para devorar ... Enfim, elas estão definitivamente VIVAS. Agora pense nisso: cada uma dessas células carrega uma cópia completa do seu genoma (DNA). Em tese, se você pegar o núcleo de uma delas e jogar dentro de um óvulo, é possível fazer um clone seu (como fizeram com a ovelha Dolly, em 1997, e com um monte de outros bichos desde então). Então, quem é você? Cada uma das minhas células é um Herton em potencial! Eu fiz a analogia com um recife de corais no início porque os corais são mais ou menos assim: vistos de longe eles parecem estruturas grandes, feitas de uma peça única, mas na verdade são comunidades de milhões de pequenos seres (chamados pólipos) que se amontoam sobre um esqueleto de carbonato de cálcio e trabalham em conjunto para sobreviver.  Nosso corpo também parece um organismo unitário por fora, mas, na verdade, somos feitos de muitos trilhões de seres vivos microscópicos unicelulares, que cooperam entre si para formar uma pessoa. As células. Pense nisso a próxima vez que fizer uma biópsia.

06 de março de 2009 | 16h07

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