Declínio dos pingüins é sinal de perigo para os oceanos

Populações da espécie adoecem devido ao aquecimento global, derramamentos de óleo e à pesca predatória

AP

01 de julho de 2008 | 18h56

A marcha cada vez menor dos pingüins mostra que os oceanos do mundo estão em perigo, dizem os cientistas. Pingüins podem ser a versão de smoking do canário na mina de carvão, com suas populações adoecendo por conta de uma combinação de aquecimento global, derramamentos de óleo, pesca predatória, turismo e desenvolvimento econômico, de acordo com uma nova pesquisa.  Um biólogo da Universidade de Washington detalhou problemas específicos que ocorrem pelo mundo com as populações de pingüins, ligando seu declínio à saúde geral dos oceanos do sul.  "Agora estamos vendo os efeitos do aquecimento global e da poluição nos lugares mais distantes do mundo", disse o biólogo P. Dee Boersma, autor do trabalho publicado na edição de julho do periódico Bioscience. "Pensávamos que muitos pingüins estariam seguros porque não estão perto dos humanos. E isso não é verdade." Cientistas acreditam que existam de 16 a 19 espécies de pingüins. Cerca de 12 dessas estão em algum tipo de perigo, disse Boersma. A União Internacional pela Conservação da Natureza lista três espécies de pingüins como ameaçadas de extinção e sete como vulneráveis, o que significa que eles estejam "enfrentando alto risco de extinção no meio silvestre", e duas mais como "próximas da ameaça." Há cerca de 15 anos, apenas de cinco a sete espécies eram consideradas vulneráveis, dizem os especialistas.  O Fish and Wildlife Service dos Estados Unidos, que já listou uma espécie de pingüins, está estudando se precisa acrescentar mais 10.  A maior colônia de pingüins patagônios do mundo fica em Punta Tumbo, Argentina, mas o número de pares reprodutores diminuiu pela metade desde a década de 1960, passando de 400 mil para 200 mil, disse Boersma. Em um século, os pingüins africanos diminuíram de 1,5 milhões de pares reprodutores para apenas 63 mil.  A diminuição geral não é causada por apenas um fator, mas diversos. Para os pingüins que adoram o gelo, como os Adelie, o aquecimento global na península Antártida é um problema, tornando difícil achar comida, disse Phil Trathan, chefe de biologia de conservação na Pesquisa Antártida Britânica.  Para os pingüins que vivem em Galápagos, os padrões climáticos do El Niño são um problema, pois as águas mais quentes os obrigam a viajar mais longe para conseguir comida, muitas vezes abandonando seus filhotes. Ao final do El Niño recorde de 1998, pingüins fêmeas tinham apenas 80% de seu peso normal.  Os derramamentos constantes de óleo no mar mancham as águas onde vivem os pingüins no Uruguai, Argentina e Brasil e têm contribuído para os declínios de Punta Tumbo, disse o pesquisador.  Os problemas podem ser diferentes de lugar para lugar, mas olhando para os números para a espécie em geral, "eles nos dão uma mensagem clara", disse Trathan. E não é apenas sobre o destino dos pingüins.  "O que acontece aos pingüins, poucos anos depois pode acontecer a diversas outras espécies e possivelmente aos humanos", disse a especialista em pingüins Susie Ellis, diretora executiva da Fundação Rhino.

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