Degelo no Ártico traz novas ameaças à segurança, diz a Otan

Abertura do Oceano Ártico á exploração econômica exigirá presença militar na região, diz chefe da aliança

Associated Press,

29 de janeiro de 2009 | 14h32

Um degelo do Oceano Ártico abrirá rotas marítimas e competição por reservas valiosas de energia, numa corrida internacional que trará novos desafios à segurança global, disse o chefe da Otan nesta quinta-feira, 29.   Veja também  Agricultura pode ajudar no clima  Efeitos do aquecimento global durarão mais de 1.000 anos Só guarda-sol no espaço reverte efeito estufa até 2050 UE apresenta posição para negociar novo acordo sobre clima Especial: Entenda as negociações do novo acordo sobre mudança climática Especial: Quiz: você tem uma vida sustentável?  Especial: Evolução das emissões de carbono      Os comandantes da aliança militar e legisladores estão reunidos na capital da Islândia disseram que uma presença militar na região acabará sendo necessária, á medida que se multiplicam os impasses entre potências internacionais.   "Eu seria o último a esperar um conflito militar, mas haverá uma presença militar", disse o secretário-geral da Otan, Jaap de Hoof Scheffer a delegados. "Deverá ser uma presença militar não excessiva, e há necessidade de cooperação política e cooperação econômica".    O chefe da Otan disse que negociações envolvendo a aliança militar, a Rússia e outras nações serão essenciais para evitar conflitos no futuro. De Hoop Scheffer deverá se reunir com o vice-primeiro-ministro russo Sergei Ivanov na próxima semana, para discutir essas questões.   A abertura das rotas marítimas do Ártico, que antes só eram navegáveis por submarinos e navios quebra-gelo,  ameaça complicar as delicadas relações entre países que reivindicam o território próximo ao polo norte - particularmente à medida que regiões do fundo do mar, antes inacessíveis, tornam-se campos viáveis de exploração de petróleo e gás natural.   Estados Unidos, Rússia e Canadá estão entre os países que tentam estabelecer jurisdição sobre o Ártico, juntamente com os países nórdicos da Europa. Analistas dizem que a China poderá se unir á corrida ao petróleo da região polar.   "Diversos países da borda do Ártico estão fortalecendo suas capacidades, e a atividade militar no Alto Norte está crescendo progressivamente", disse De Hoop scheffer.   Estrategistas esperam que as disputas territoriais tornem-se cada vez mais agressivas, à medida que as demandas mundiais por energia aumentam.   "Mudança climática não é uma ideia fantasiosa, é uma realidade, uma realidade que traz consigo novas mudanças, incluindo para a Otan", disse De Hoop Scheffer.   Alguns cientistas preveem que o Ártico estará livre de gelo nos verões já a partir de 2013, décadas antes do que se imaginava anteriormente. De Hoop Scheffer acredita que as trotas árticas serão uma alternativa aos canais de Suez e do Panamá para o transporte comercial.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.