Degradação dos corais chega a 88%

Um novo levantamento sobre o estado de conservação dos bancos de corais do Sudeste Asiático mostra que a degradação associada a atividades humanas já atinge 88% deles, um percentual maior do que o estimado no último estudo, de 1998, que era de 82%. A conclusão está em um relatório, elaborado por 35 pesquisadores de países do Pacífico e da Austrália, Reino Unido e Estados Unidos, divulgado hoje, em Boston (EUA), pelo World Resources Institute (WRI). Os ecossistemas de corais do Sudeste Asiático são os mais extensos e importantes de todos os oceanos, abrigando alta biodiversidade marinha. Somados, chegam perto dos 100 mil km2 ou 34% da área total de corais do mundo. Ali vivem cerca de 600, das 800 espécies conhecidas de fauna e flora normalmente associadas a corais. As principais ameaças são sobrepesca, pesca destrutiva (uso de veneno e dinamite), sedimentação e poluição, provenientes da alteração de ecossistemas costeiros. A captura de peixes ornamentais também é importante, representando um mercado de US$ 1 bilhão por ano. "Se a pesca, em especial, não for reajustada para níveis mais sustentáveis, além dos corais, a segurança alimentar também estará em perigo", diz Mark Spalding, um dos autores do documento. A degradação é considerada mais grave no Cambodja, Cingapura, Taiwan, Filipinas, Vietnã, China e nas Ilhas Spratly, onde 90% dos bancos de corais já estão comprometidos. Na Malásia e Indonésia, a degradação atinge 85% da área. O relatório estima que, se nada for feito, num período de 20 anos, os prejuízos diretos (com diminuição da pesca e do turismo) podem ultrapassar os US$ 2,6 bilhões na Indonésia e US$2,5 bilhões nas Filipinas.Os pesquisadores recomendam uma série de ações para conter a degradação e facilitar a recuperação dos corais. Entre elas estão, por exemplo, aumentar as áreas protegidas, que hoje correspondem a apenas 8% do total, e melhorar o manejo das áreas existentes; reduzir a sobrepesca através de manejo e buscando alternativas econômicas para os pescadores; e regular o comércio de peixes ornamentais.

Agencia Estado,

14 de fevereiro de 2002 | 13h26

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