Demônios da Tasmânia evoluem para escapar do câncer

Eles começaram a procriar mais cedo devido a um tumor facial que mata antes da idade de reprodução

AP

14 de julho de 2008 | 19h21

Por causa de uma epidemia de câncer que está diminuindo a duração de suas vidas, os demônios da Tasmânia começaram a procriar mais cedo, de acordo com pesquisadores da Universidade da Tasmânia, na Austrália. "Nós poderíamos estar olhando para uma evolução que ocorre bem na frente de nossos olhos. Olhe esse espaço!", disse o zoologista Menna Jones. Os demônios da Tasmânia vivem na ilha de Tasmânia, no sul da Austrália. Eles pesam de 9 a 13 quilos e foram chamados de demônios pelos colonizadores europeus porque os pequenos marsupiais de pêlo preto produzem barulhos ferozes e podem ter um temperamento ruim.  Desde 1996, uma forma contagiosa de câncer chamado tumor facial do demônio vem está infectando esses animais. É invariavelmente fatal, causando mortes entre os 2 e 3 anos. No passado, os demônios viviam entre 5 e 6 anos, procriando nas idades de 2, 3 e 4, mas com a nova doença, mesmo as fêmeas que procriam aos 2 anos podem não viver tempo suficiente para gerar sua primeira cria.  Jones, que tem estudado o ciclo de vida da espécie desde antes do aparecimento da doença, notou que houve um aumento de 16 vezes na procriação no primeiro ano de vida. Ela reportou seus achados na edição desta semana da revista Proceedings of National Academy of Sciences.  "O que nós estamos sugerindo neste trabalho é que há uma possibilidade de haver uma seleção para uma rápida evolução em direção a uma maturidade precoce", disse.A doença poderia extinguir os demônios da Tasmânia em cerca de 25 anos, ela disse, mas essa mudança para a reprodução precoce pode reduzir as chances de seu desaparecimento.  Enquanto isso a busca por uma vacina continua.

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