Dente dá novas pistas sobre dinossauro brasileiro

Um dente cravado nas vértebras do pescoço de um pterossauro mudou o que os cientistas pensavam sobre os hábitos alimentares de um grupo de dinossauros do antigo Nordeste brasileiro. O fóssil que registra a mordida, de 110 milhões de anos, foi descoberto na Chapada do Araripe - entre Ceará, Pernambuco e Piauí - e descrito por paleontólogos franceses na edição desta quinta da revista Nature.A ossada indica que os espinossaurídeos, dinossauros de 3 a 4 metros e com dentes arredondados, parecidos com os de crocodilos, não se alimentavam apenas de peixes, mas incorporavam também alguns pterossauros na dieta."É uma evidência direta de que esses animais interagiram, o que não é algo trivial. "O pesquisador brasileiro Alexander Kellner, do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro.SupresaSegundo ele, é comum encontrar dentes de dinossauros carnívoros com as ossadas de herbívoros, e às vezes é possível identificar marcas de mordida deixadas nos ossos. Nesse caso, entretanto, o dente não deixa dúvidas.Descobrir o dente também foi uma surpresa para os franceses, que obtiveram o fóssil de um negociador particular. "Não parecia ser nada muito interessante no início; apenas um grupo de vértebras de pterossauro", contou à reportagem o pesquisador Eric Buffetaut, autor principal do estudo. "Mas quando meu colega François Escuillié o preparou melhor e descobriu o dente incrustado, a coisa ficou muito mais interessante."CarcaçaSegundo ele, o fóssil pertence a uma fundação alemã com base em Wyoming (EUA). O trabalho não especifica onde ou quando a peça foi achada. Diz apenas que foi na Formação Santana, um sítio riquíssimo em fósseis do início do período Cretáceo na Bacia do Araripe.Os pesquisadores também não souberam identificar a espécie exata do pterossauro ou do espinossaurídeo. O pterossauro, com envergadura estimada em quase 3,5 metros, pode ter sido capturado no solo ou até mesmo durante o vôo, dizem os cientistas. Mas eles acreditam que o dinossauro tenha se alimentado dele já morto, como uma carcaça.Kellner, por outro lado, acha mais provável que o réptil alado tenha sido abocanhado vivo. "Normalmente, quando um animal ataca o pescoço é para matar primeiro e degustar depois."

Agencia Estado,

01 de julho de 2004 | 12h18

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